Chegando e saindo de Paris com dignidade

Nada no mundo se compara a chegar de viagem e ter alguém te esperando com aquele sorrisão no rosto e um carro grande pra por suas malas e te levar pra onde você tem que ir, né? Ou pelo menos aquele shuttle do seu hotel com o motorista solícito. Na falta de qualquer dessas opções a gente se vira como dá. Como tudo em euro é 3 vezes mais caro, vou sempre pelo mais barato: transporte público.

A regra é a mesma pra qualquer lugar que você não conhece: pesquise antes pra não passar por besta.

Antes do transporte, vem a primeira lição de Paris

NÃO VIAJE COM MUITAS MALAS. Especialmente sozinha. Eu nem tinha muitas, estava com uma mala de 23 kgs (que se transformou em um monstro de 42kg na volta), uma sacola de viagem de uns 9kg e a bolsa. Nada de mais. Mas você vai ter que carregá-la tanto tempo que vai se transformar em um corpo, e grande parte das estações de trem e metrô nem escada rolante tem. Se resolver ir do aeroporto até Paris de trem você pode usar um  carrinho por apenas uns 10% do longo trajeto entre a esteira e a estação.

Aha! Por isso a mala tava tão pesada!

Outro detalhe mega importante: Na Europa não existe excesso de peso, tá?  A regra para brasileiros é 2 malas de 32 kg cada, e nem um grama a mais.  Por pouco não tive que jogar 10kg de compras no lixo, mas no aeroporto tem uma loja de malas (que fecha cedo), e por milagre a francesa da loja ficou com dó de mim e topou reabrir o caixa pra me vender uma mala e fazer com que eu pudesse voltar pra casa com dignidade. Quase, porque acho que passar a noite no aeroporto refazendo malas no meio do saguão não configura dignidade.  Certeza que aquela loja foi feita pensando em brasileiros que sempre carregam excesso achando tudo lindo. Ainda melhor foi que a loja tem uns precinhos honestos e nem parece que está em um aeroporto. Tomara que ninguém os avise.

Siga esse sinal como se sua vida dependesse dele

O Trem é um ótimo custo benefício, desde que você tenha pouca bagagem e consiga colocar tudo no maleiro acima dos bancos sem ajuda. A confusão começa ao comprar o ticket. A bilheteria do aeroporto Charles de Gaulle  tem duas filas, uma vende os tickets da RER, que é o sistema de trens metropolitano, e a outra vende tickets da TGV, mas estes você só vai usar pra viajar pra longe. Então vá com RER na cabeça que não tem erro. Com 9 euros você chega dentro de Paris e se vira, infinitamente mais barato que um táxi.

Fique de olho nas placas RER

DICA – Não seja esbaforido de comprar sem ter certeza. Tive que ajudar um colombiano desesperado que comprou bilhete errado e falava menos francês que eu. Era tanta mímica no guichê que até hoje a funcionária deve contar essa história gargalhando.

Eu dei vexame com a mala,  claro. Depois de andar puxando a desgraçada por uma distância que parece todo o caminho de Santiago de Compostela, você encontra a escadaria gigante que te leva até o nível do trem. Claro que NÃO É ROLANTE. Desencanei de levantar o corpo e fui arrastando mesmo, causando um terremoto na escada de ferro. Ganhei vários olhares de desaprovação dos franceses chiques e suas mini malas, nem liguei. Eram só os primeiros de muitos que ganhei no trem até chegar na casa.

Se quiser um passo a passo detalhado que mais parece um mapa do tesouro, aqui tem http://parisbytrain.com/paris-airport-terminal-2-train-photo-tour/

 Ônibus – Tem coisa que a gente só aprende depois que sofreu muito, né? Eu pesquisei tudo antes de ir, mas fiquei com medo de me perder logo na chegada e não quis arriscar sair do aeroporto de ônibus. Bobinha.

O motorista que me levou era a cara do Grinch, olhando bem era até meio verde

Os ônibus Roissy Bus fazem o trajeto da Ópera, no centro de Paris, até o Aeroporto por 10 euros, e como só tem turista ao invés dos olhares feios você ganha ajuda com as malas, vai sentadinho dormindinho e só tem o trabalho de saber em que terminal vai descer. Vai das 6 AM até 11PM. O bilhete você compra com o motorista mesmo. E melhor parte, SÓ TEM UM DEGRAU PARA SUAS MALAS. Ou seja, dane-se a regra de levar pouca bagagem, ainda mais se seu destino final for ali perto.

O link oficial do Roissy tá aqui http://parisbytrain.com/buses-from-cdg-airport-to-paris/

Táxi – Como falei lá atrás, no dia de ir embora eu transformei minha mala-corpo de 23kg num MONSTRO POLTERGEIST de 42kg. Então desenvolvi um super plano de pegar um táxi na porta do prédio que me deixaria no ponto do RoissyBus na Ópera. Perfeito, não fosse um detalhe: Subitamente todas as pessoas da casa onde fiquei desapareceram, ou seja, ninguém pra chamar um táxi. Como eles sempre alugavam o quarto para estudantes, acho que era a estratégia pra não ter que ajudar ninguém a carregar nada até o  metrô mesmo. Esperei até onde deu, deixei um bilhete na mesa e as chaves na caixa de correio e fui a pé até a Place d’Italie, a duas quadras de casa, onde passava táxi. (Com apenas um mês de estudo por nada no mundo eu falaria em francês no telefone, ok?)

Levei mais tempo do prédio até o ponto do que todo o restante do trajeto até o aeroporto. Eu literalmente parava a cada 10 passos pra trocar o lado de puxar a mala. Aí apareceu um cara perguntando pra onde eu tava indo. Quase desmaiei de emoção pois ele ia me ajudar, certo? ERRADO. Ficou ali parado sorrindinho quando falei que ia pro aeroporto, que tava indo pro Brasil e tal. Idiota, pensei, e continuei. Dá 1 minuto o cara volta perguntando se eu precisava de ajuda (oi?), e perguntando SE EU TINHA DINHEIRO PRA PASSAGEM! Nessa hora meu instinto seria sair correndo mesmo, mas a rua era tão movimentada e a mala tão pesada que nem liguei.

Devia poupá-los do detalhe de não saber onde era o ponto e ter ido pro lado contrário aumentando bastante o percurso. Eu só sabia que era na praça. O indiano meu amigo da barraca de crepes me salvou e enfim cheguei ao ponto. E os primeiros 2 táxis me ignoraram assim que perguntaram pra onde eu estava indo. É. O primeiro falou rápido e não entendi muito bem o porque, fiquei lá meio idiota enquanto ele pegava a pessoa na fila atrás de mim, o segundo  eu já tinha ensaiado a pergunta indignada, e ele respondeu que não dirigia no centro e acabou (visualize a velhinha faceira entrando no carro). Gente, centro de Paris não é nada! Queria muito soltar aquele motorista retardado no centro de São Paulo as 6 da tarde.  Até que um santo teve pena de mim, me ajudou com o monstro, me levou bonitinho até o ponto e não cobrou nem um euro a mais pela bagagem. PURA PENA.  Taí o taxista pra provar que até franceses tem coração.

Próximo post: se virando com transporte público dentro de Paris.

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Categorias: Informações práticas, Mão de vaca, Micos | Tags: | 11 Comentários

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11 opiniões sobre “Chegando e saindo de Paris com dignidade

  1. Juliana

    olá!! estou indo pra ásia mas farei conexão em Paris e tinha pensado em comprar uma mala de mão no charles de gaulle…vale a pena? vc pagou caro?? lembra o nome da loja ou o terminal??? muito obrigada!

    • Jacqueline

      Fui a Paris de novo. E quem disse que a gente aprende a sair com dignidade? Fui a Londres de mochilinha e voltei a Paris para de lá ir direto para o aeroporto direitinho: táxi, malinhas despachadas com tranquilidade tkstks…Em 36 dias de Europa e apê alugado em Paris, compramos tanto, eu e minhas amigas, que uma de nossas malas pesava 45 quilos e foram necessários 2 táxis para 3 pessoas. Passamos a noite no aeroporto pesando malas e trocando coisas de uma para outra e no fim concluir que necessitávamos de mais uma mala paga como extra, o que foi a bagatela de 150 euros. Pior é que havíamos deixado para trás uma mala média e aí não tínhamos nenhuma nem onde comprar na madrugada. O check-in era às 4 da manhã. Aí arrumamos um saco e jogamos uns 20 quilos nele. Foi horrível. Uma noite inteira andando e sofrendo, achando que não conseguiríamos embarcar nossas incríveis quinquilharias. O saco chegou rasgado, mas nada havia se perdido a não ser os 150 euros. Em 2014 já planejo outra vez Paris, mas juro juro juro que não vou me exceder nas compras. E aí, sim, saio de Paris com dignidade. No salto.

  2. Anônimo

    Eu estou literalmente louca para entrar em Paris de qualquer jeito. Saudade,saudade,saudade…

  3. Eu perdi a minha dignidade quando eu tive que repassar compras de uma mala a outra em plena fila de check-in lotada do aeroporto CDG.
    Foi muito traumático. uma velha ordinária ficou irritadíssima e começou a esbravejar por não estar seguindo o fluxo da fila. Apesar de haver uns 50 ainda em minha frente.
    Pensei em chingar muito, mas apenas dei um olhar blasé e fiz a egípcia.
    Humilhação foi retirar cueca, camisa, sapato e quinquilharias de uma mala a outra. Hahahahaha

    • Lucíolo, eu te entendo tão bem! Essa não foi a única viagem que fiquei íntima do pessoal do aeroporto, que em outras vezes já viram até minhas calcinhas sendo trocadas de uma mala pra outra. Nessas horas é fazer egípcia mesmo e torcer pra não ser um daqueles momentos que você encontra conhecidos em viagens. Fora que nunca ninguém vai pedir pra inspecionar sua mala, a não ser a mala que tem roupa suja pulando pra fora.

  4. Jacqueline

    Resultado: Morro de rir me lembrando da saída de Paris. Mas, com certeza, não foi com muita dignidade, não.

  5. Jacqueline

    Fui com uma mala. Já tinha pesquisado sobre preços de táxis e deu tudo certo e preço dividido por dois: barato. Qdo cheguei a dona do apê só comentou o peso da minha mala. Acho que a danada pesava sozinha. Final de viagem: 3 malas. Comprei mais 2 e minha amiga passou com uma delas para eu não ter excesso de bagagem. Pior, pior, pior e coisa que jamais repetirei. Saí com as 3 malonas pelo TGV para Londres. Nunca, nunca, jamais alguém deve sair por ali com peso e malas de 2 rodinhas. Puxa malas, corre, arrasta e arrasta malas que se viram, chega no portão e, terror, se depara com uma esteira, puxa as malas esteira abaixo, elas rolam, quase atropelam, desce na plataforma e nenhum carrinho, anda, corre, anda, arrasta malas e pior, pior, pior, o vagão é o primeiro, chega na porta e tem que subir com as malas, colocar no bagageiro e os lugares mais baixos já estão lotados, senta afinal no banco e desmaia. Nós encontramos dois bons samaritanos que puseram nossas malas no bagageiro de cima. E aí, qdo chegamos a Londres, onde estavam eles? Só visualizei nossos pescoços quebrados qdo puxássemos aquelas malinhas e eles fatalmente nos cairiam sobre a cabeça; Traumatismo craniano, coluna quebrada. Desespero. Apareceu outro bom samaritano e retirou-as para nós. Quem disse que não se precisa de um homem forte?
    Agora já comprei mala de 360º e pretendo levá-la quase vazia para enchê-la em Paris. O-la-lá!

    • tô rindo muito aqui visualizando você e suas malas, socorro! Eu aprendi, de agora em diante só viajo com meu marido junto ou com uma mochilinha.

  6. Olá, estava ansiosa por novidade, até te infernizei lá no twitter para você postar hahahaa

    Ri muito aqui!!! O meu problema com malas na minha viagem à Paris, foi aqui no Brasil mesmo, porque lá eu tive translado (chic!), mas como moro no interior ninguem foi me buscar em Cumbica (quem mandou querer viajar sozinha e trazer Paris dentro das malas ahahah) tava com um mochilão, 1 de rodinha e inventei de levar vazia dentro da mala de rodinhas uma malona com alças pra trazer cheia O_o nossa, sério achei que minha coluna ia trincar em 4 partes e que ia quebrar meu braço, cheguei em casa cheia de hematomas no braço kkkkk e falei pra minha mãe que tinha apanhado em Paris kkkkkk não me arrependo os hematomas sararam e as quinquilharias ficaram até hoje.

    Beijos ! Parabéns
    ah eu tenho uma blog que tá no comecinho(zinho) hihi
    quando puder dê uma passada lá também.

    http://assimfoiparis.blogspot.com.br/

  7. Muito util o seu post! Mas, acima de tudo, ele é muito divertido. Me lembrou de uma época onde eu escrevia pra mim e pros amigos e não me importava de fazer piadinhas nos textos, não me preocupava com a imagem que eu tinha que passar. Era mais legal escrever nessa época. Depois de ler esse seu post fui ler o meu ultimo (Sobre a Bélgica) e percebi que eu fiquei chata – pelo menos quando se trata de posts de viagem. Então esse seu texto serviu como um tapa na cara. Obrigada.

    ps: quase 3 anos aqui e eu ainda não atendo o telefone, então eu entendo a sua angoisse. rs

    • eu faço piadinha o tempo todo, mesmo quando elas são bem ruins, então já desencanei de passar imagem, sabe? as pessoas me descobrem rápido, então é muito esforço pra pouca boa impressão. faço o gênero “me ame assim ou me largue” há muito tempo. E lembro que suei frio a primeira vez que atendi o telefone nos EUA, achei que ia desmaiar, e hoje passo isso com francês. a diferença é que morando no Brasil minhas chances de atender um telefonema em francês hoje são abaixo de zero. (o que é angoisse?)

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