Como passar um mês com uma mala de mão e ainda sair ahazando

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Essa pessoa, não seja ela…

Viajar pela Europa sem precisar despachar as malas tem enormes vantagens:

1 – Os vôos baratérrimo das empresas low cost cobram extra se você despachar a mala.

2 – Maravilha poder jogar a mala no bagageiro superior do trem sem estourar sua coluna.

3 – Você inevitavelmente em algum ponto vai arrastar sua mala por calçadas mega irregulares, não vai querer arrastar milhões de quilos.

4 – Metrôs muitas vezes não tem escadas rolantes.

Nossa estratégia se baseou em algumas regras:

1 – Não sofrer nos deslocamentos internos;

2 – Perder o mínimo tempo possível nesses deslocamentos;

3 – Gastar o mínimo possível sem quebrar a regra 1.

 

Portanto, foi um mês com uma mala de mão de 4 rodinhas cada um e uma mochila que saiu do Brasil quase vazia, caso a gente voltasse com coisas (sempre tem coisas).

Gente, não vou dar lista de roupas pra levar não, peraê. Só tem alguns princípios básicos que eu segui, e vou contar quais achei que foram mais úteis:

1 – Intercale a lavagem de roupa – Sim, vai precisar lavar. Se seu roteiro tem várias cidades, programe pensando nisso. Ficamos quase só em AirBnb, mas gastamos com apartamento inteiro cidade sim, cidade não. Aí quando o apê é só seu dá pra lavar até a mala. Na última parada, dane-se, soca tudo sujo na mala e volta pra casa.

2 – Tudo precisa combinar com tudo –  sim! Melhor coisa do mundo! Leve peças básicas sem muita estampa e no mesmo esquema de cores.

3- Mais brusinhas e menos partes de baixo – Levei exatamente uma calça jeans, uma de malha, um shorts e um vestido, esses dois para serem usados com e sem meia calça. E várias brusinhas. Sim, sou a rainha do desencanamento.

3 – Para o frio, pense em camadas – não precisa levar um super casaco se não for pegar o auge do inverno. Um trench coat te protege da chuva, e se esfriar você se veste igual cebola: segunda pele, camiseta de mangas compridas e uma malha, e empacota tudo com o trench coat. Aí ao longo do dia você vai tirando se esquentar. Eu levei exatamente essa conta mais uma jaquetinha de couro, serviu super bem pro frio que enfrentamos. Amsterdam mesmo no verão faz frio, viu? E como venta!

4 – Priorize roupas que vão bem tanto no frio quanto no calor – aquele shortinho que eu usei no calorão de Budapeste saiu com um meião no friozinho de Berlim. Mesma coisa pro vestidinho que passeou com rasteirinha em Viena e de bota em Amsterdam.

5 – Pense bem no que vai enfiar no pé – Não dá pra levar muito, então tem que escolher bem. Dia de andar bastante tem que ser com tênis de corrida, ponto. Não faz o menor sentido andar 15km com sapatos que não foram feitos para isso porque quer sair bunita nas foto. AllStar são super confortáveis pra andar pouco, mas você quer jogar eles no lixo depois de um dia inteiro, são meio inúteis. Vai por mim, eu achei que aguentava a viagem com botinha, sapatilha e AllStar: aguentei bem em Praga, quase amputei os dois pés em Viena e tive que comprar um Nike em Budapeste. Dá pra aguentar um dia mais sussa de rasteirinha se você intercalar com um tênis no dia seguinte quando for bater bastante perna.

“Aimm, mas tênis de corrida é feio, fico parecendo um turista sem noção, as fotos ficam feias”  – só pra te contar que você não vai morrer se passar um dia tirando foto da cintura pra cima, tá? E olha só, você é turista, deixa um pouco essa história de querer ser confundida com os locais. Parisienses andam de bicicleta de salto, mas elas moram lá, não precisam ver toda a cidade em poucos dias.

6 – Não exagere nos líquidos – Não despachar as malas tem enormes vantagens (não perder tempo na fila nem a mala, e nos vôos internos low cost não pagar extra de bagagem despachada), mas algumas coisa ficam mais complicadas. Não tem conversa, o que não couber no micro ziplock que te dão na alfândega vai pro lixo. Ai você leva o suficiente para os primeiros dias em frasquinhos pequenos, e depois quando passar numa farmácia ou mercado compra o resto. É uma aventura acertar o shampoo com rótulo em tcheco e tradução em húngaro e eslovaco.

7 – “Mas, e as fotos????!!!! – Vou sair com a mesma roupa em todas elas com cara de mendigo socorroooooo”. Leva lenços, bandana pro cabelo, faz uma trança, um colar diferente. Juro que dá pra sair bem diferente só com coisas que vão ocupar pouquinho espaço na sua malinha.

8 – Precisa levar varalzinho? – Não levei, se tem máquina normalmente vai ter um varal dobrável em algum canto da casa. Talvez seja bom levar um cordão enroladinho na mala, vai quê. Ou não leva e se precisar sai estendendo tudo pelos móveis mesmo.

9 – Você tá matando a mala de mão!!!!!  – Olha, não dá pra fazer esse esquema se você PRE-CI-SA levar um livro pra ler no avião, o tablet, fones de ouvido gigantes e não consegue viver sem mil cremes. Tem que escolher as batalhas!  O vôo de volta tinha conexão, e da República Dominicana até São Paulo viemos num avião mequetrefe sem TV e sem nem sequer as revistinhas de bordo. A esse ponto da vida claro que eu não tinha mais bateria no celular também, então foi um imenso tédio, já que eu nunca aprendi a dormir no avião.

O fone de ouvido você leva o pequeno que cabe na mão, os comprovantes de hotel e passagens você organiza num aplicativo (tem montes legais pra isso), manda cópias pro seu email e pode acessar de qualquer lugar, não precisa levar uma pasta cheia de papel, se você faz muita questão absoluta de ler arranja uma fresta e enfia o livro lá.

Bom, é isso, balanço final é que acho que viajar com pouca tralha ganhou a batalha da vida. Vai e depois me conta.

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Aproveitando a escala em Paris

Paris foi nossa porta de entrada na Europa, e dali sairíamos pra Praga. Com uma escala de 5 horas não há a opção de pegar o metrô até o centro, é muito corrido, mas ao mesmo tempo é de matar ficar no aeroporto por tanto tempo, então fomos fuçar outras opções e descobrimos que a cidadezinha do aeroporto, Royssi-en-France, é doida pra que você vá conhecê-la! Fica a apenas 2 km, você manda um e-mail, acerta os detalhes e ao chegar ao aeroporto ganha passagens de ônibus pra ir até lá. Quando chega na cidade vai direto no centro de turismo e recebe um mapinha e um áudio guide com os pontos turísticos principais.

Não tem assim taaaaaaanta coisa pra ver, mas é uma ótima opção pra aproveitar seu tempo e de quebra conhecer uma cidade que provavelmente nunca estaria no seu roteiro. Eles fazem isso pra incentivar que você gaste nas lojinhas,  coma em algum restaurante, mas obviamente o plano falhou conosco, pois não gastamos um mísero centavo lá (nem sequer um café). Mas isso foi culpa do tempo curto, pois 5 horas parece bastante, mas na real entre chegar no aeroporto, guardar mala, pegar passagem, pegar ônibus, conseguimos ficar só uma hora lá pra dar tempo de não perder o vôo para Praga.

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“Oi, eu sou o Alexandre, muito prazer.

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Tudo muito fofinho, cheio de florzinhas

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Óin que bunitinho

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Igreja da cidade, ao lado tem um parque bacana.

 

 

 

 

 

 

 

 

Pra fazer uma visita patrocinada à Royssi é tranquilo:

1 – Mande um e-mail pra office-tourisme@ville-roissy95.fr, com cópias dos tickets de chegada e saída de Paris (tem que ter mais de 5 horas de intervalo), no máximo 5 dias antes da chegada.

2 – Se eles decidirem que você pode ir, te mandam as instruções pra pegar seu pacote de turista. O nosso pegamos no Bagages du Monde, no Terminal 2. Ai entra a parte mala (literalmente): como não despachamos bagagem, acabamos deixando as malas guardadas lá mesmo enquanto íamos pro passeio. Podíamos ter despachado e nos livrado dessa dor de cabeça, mas temos um histórico meio ruim com malas perdidas e não queríamos dar sorte pro azar. Morreram 13 euros nessa brincadeira, com certeza mais caro que as passagens de busão.

Nesse site tem mais informações, aí você decide se vale a pena. Eu sempre acho que vale, e que qualquer opção é melhor do que mofar no aeroporto. E se você tiver mais horas na sua escala, pode procurar por formas de dar uma esticadinha em Paris.

Próximo destino: Praga

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Planejando um mês de Europa – lições aprendidas

Tirei outro sonho da gaveta! Dessa vez  com o maridón por um mês viajando pela Europa. Ou seja, dessa vez os micos são em dobro e tem testemunha. Tô com assunto demais e doida pra falar muito! Desculpa aí o post meio longo.

Definir o roteiro já foi uma maratona, porque cada canto é insano e obviamente a gente queria conhecer tudo, mas depois de muito sofrimento pra equilibrar  os extremos “conheça 50 países em 15 dias” com “crie raízes ficando no mesmo lugar por um mês inteiro” o roteiro ficou da seguinte maneira:

Chegada em Paris – aproveitar pra conhecer a cidadezinha mais próxima durante a escala.

Praga – 3 dias

Viena – 4 dias (um pulinho em Salzburg em um deles)

Budapeste – 4 dias

Berlim – 5 dias

Amsterdam – 5 dias

Paris – 6 dias

Não pense que foi fácil chegar a essa equação com taaaaantos outros lugares maravilhosos que simplesmente terão que esperar pela próxima viagem.

Definido o roteiro, tínhamos que decidir em qual nível de pobreza dívida queríamos viver após a volta, pagando as contas. Decidimos que queríamos curtir muito sem chorar depois, ou seja, nada de dívidas. Com o real desfavorável (em Junho o Euro já estava 3,78) não dava pra esbanjar muito.

A primeira parte foi resolver as passagens. Nessa hora a gente olha pra trás feliz da vida porque decidimos ser as pessoas do tipo “vai pagar o chiclete como?”  “no crédito, moça”. Essa brincadeira acumulou bastante milhas. Com mais um tanto das nossas outras viagens, pagamos apenas a taxa de transferência pra juntar todas num lugar só.

download (1)Hotel, só em Praga, que valia bastante a pena, no restante das cidades fomos de AirBnb (muito amor esse AirBnb, viu?).  Em Viena ficamos na casa de um primo (conforto extra, comidinhas orgânicas e outros mimos). O restante do roteiro ficou assim:

Budapeste  – optamos por um quarto de um apartamento bem central, já que eram poucos dias e queríamos sentir um pouco como aquele povo com uma língua desgraçada de  difícil vive dentro de casa.

Berlim – Mais dias, optamos por um apê pra chamar de nosso. Do lado oriental que é muuuuito doido.

Amsterdam – Ô cidade cara pra hospedagem! Ficamos na casa de um casal de velhinhos adoráveis que faziam nosso café da manhã ouvindo música clássica.

Paris – Fechamos a viagem em grande estilo com um apartamento fofo no Marais.

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Esse é um Lángos, falarei mais sobre ele quando chegarmos a Budapeste

Pra comer, seguimos o mesmo sistema de economia. Onde valia a pena íamos todo dia em um restasurante mais legal, nos outros lugares dava pra se virar muito bem com comida de rua (que é uma forma muito legal de entrar na rotina local e sair um pouco do mundo turistão), fast foods, piqueniques no parque  e sim, MacDonalds (porque vamos ser honestos, tem dias que você simplesmente só aguenta comer o que já conhece).

 

 

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Outra peça importante da equação seria o quanto de tralha carregar. Um mês é bastante tempo, e quem leu o post sobre minha outra chegada à Paris deve ter morrido de rir da minha cara, mas pelo menos eu aprendi a lição. O problema maior dessa vez é que em alguns lugares já seria verão, e em outros ainda estaria friozinho. Após um grande debate sobre as virtudes da mala x mochilão, a decisão foi levar duas malinhas de mão (de quatro rodinhas, coisa de outro mundo), que não precisassem ser despachadas, e uma mochila para os eventuais excessos e comprinhas, que obviamente ele carregaria nas costas.  Também precisava rolar uma intercalação de lugares em que daria para lavar roupas.

banner_original-7f645724a568c2153e869cd83c43ca64-Indo de um canto a outro – Usamos trem pra tudo, menos de Budapeste a Berlim, que levaria 13 horas, então fomos de avião. Depois de muito pesquisar chegamos à conclusão de que trem é a melhor alternativa, já que você basicamente não perde tempo com deslocamentos até o aeroporto, que é sempre fora da cidade. Se comparar apenas o preço provavelmente o trem perde pra companhias low cost, mas tem que colocar todos os prós e contras no papel e comparar. O ideal é montar o roteiro de forma que as distâncias sejam sempre as menores possíveis. Como regra básica, se a viagem for até 7-8 horas, vale a pena ir de trem, caso contrário vá de avião mesmo.

Prós do trem: estações centrais (e fofas), pode chegar na hora do embarque, não tem cobrança extra por bagagem e você aproveita a paisagem.

Contras: O preço um pouco mais caro.

Prós do avião: só ganha pontos pra trajetos mais longos em que você vai perder muito tempo em um trem. A não ser que você opte por trajetos noturnos e use esse tempo pra dormir e de quebra economizar uma noite de hospedagem.

Contras do avião: se tiver que despachar bagagem você paga extra e, tem que contar o tempo do deslocamento até o aeroporto e check-in pra ver se compensa mesmo, fora que vai pagar por um trem ou ônibus pra fora da cidade, que normalmente custa um tanto a mais.

O planejamento basicão foi esse. Como sempre, pesquisar um monte sobre cada lugar e as possibilidades ao redor maximiza suas chances de uma viagem mega legal. Claro que no câmbio bitch de agora dá uma desanimada legal, mas o primeiro passo é planejar, então não custa nada começar cedo pra quando você marcar suas férias já ter um esquemão agilizado.

Bora começar a série! Já de cara você vai aprender como aproveitar a escala curta demais pra ir até Paris e longa demais pra gastar dentro do aeroporto nesse post. Vai conhecer Roissy.

 

 

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A importância do seguro viagem

Boa tarde meus francesinhos!

Lembrei de uma coisa muito importante hoje que não cheguei a falar ainda: O seguro Viagem. A França faz parte de um grupo de 30 países que firmaram o Acordo de Schengen, incluindo todos os integrantes da União Europeia (exceto Irlanda e Reino Unido) e três países que não são membros da UE (Islândia, Noruega e Suíça). Estes países integram a Area Schengen, que não é a União Européia mas é bem fácil confundir. Na prática, o que muda para a vida do turista são os seguintes requerimentos:

  • 1) passaporte com validade superior a 6 meses;
  • 2) passagem aérea (ida e volta) com permanência máxima de 90 dias;
  • 3) comprovante de hospedagem; *
  • 4) plano de assistência médica internacional com cobertura mínima de EUR 30.000;
  • 5) comprovante de meios financeiros para manter-se durante a estada*

Itens 3 e 5 dependem de cada país, alguns podem pedir, outros não. Mas se sua viagem inclui algum dos países abaixo é bom ficar esperto com todos os itens pra não ter surpresas.

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Mas o ponto principal que eu quero falar hoje é sobre o item 4 – Seguro de Saúde Internacional. Especialmente porque neste momento estou em casa, com atestado médico já a uma semana, e ontem fui no hospital e ganhei mais um de 7 dias. Detalhe: em 2 semanas eu embarco pra 30 dias de Europa. Ceis não tem noção o nível de stress que isso tá me causando. Nada sério, só uma inflamação que enquanto não estoura (ou não entra no ponto pra cirurgia) não me deixa andar, sentar, dormir, uma delícia. Médico garantiu que até semana que vem uma ou outra coisa acontece, e a recuperação é papuf e vai estar tudo bem pra viajar.

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Eu e minhas comprinhas #Paris #curtindomuito #doenteefashion #espirrandonaselfie

Maaaaaaaaas, vai que eu tenho uma recaída viajando, e estou sem seguro? É o pior cenário imaginável, você, no seu quarto de hotel, jogado numa cama moribundo esperando sua peste bubônica passar a base de Doril, enquanto seus amigos/namorada/marido/pai e mãe te desejaram boa sorte e foram curtir a cidade. Fica de boa que depois eles te trazem um postal.

Então, além de ser obrigatório se você vai pra Europa, é super importante fazer. Eu já viajei muito loucona nessa vida sem seguro, já passei anos morando nos EUA sem seguro, mentindo pra mim mesma que “gente nova não fica doente”, já que eu nunca ficava mesmo, mas foi cair de bicicleta um dia e ralar o joelho que lá se foram 3 mil dólares de conta. Felizmente o juízo tomou conta de mim e esses dias sem lenço nem documento acabaram.

Normalmente os cartões de crédito tem uma cobertura para emergências em viagens (bom checar), mas nesse caso tem um mínimo exigido, e provavelmente seu cartão não vai fazer de graça. Quando fui pra Europa da outra vez fiz direto pelo American Express, no cartão deles que tenho desde a época da faculdade (que não é de rycah, o meu é da área de “cartões pobrinhos”).

Hoje saí fazendo mil cotações, e olha, não lembro se tomei o mesmo susto na outra vez, mas meu queixo caiu. A diferença de preço entre as seguradoras é simplesmente INSANA.

Na média, o seguro para 2 pessoas, cobrindo a exigência do Schengen mas sem as outras firulas, estava sendo cotado entre 600-800 reais pra 30 dias (meu banco faz o mesmo preço pra correntista e não-correntista e estou puta com eles neste momento). Algumas cotações começaram a chegar por email e uma delas foi um troço tão imoral que não aguentei:

  • Seguro básico Schengen 2 pessoas: R$3340,00
  • Seguro Schengen PLUS: R$7469,00

Uia, jura que é só isso? Quase o preço da passagem, moço?

No final, fechei para nós dois na American Express, de novo, por 378 reais. É mole? Diferença de quase 1000% pro básico ali da outra. É muito insulto que passa na cabeça numa hora dessas.

Quer dizer, tem mesmo que pesquisar muito e não ficar feliz com a primeira cotação melhorzinha que aparecer. A diferença de preço entre as seguradoras é brutal. Só cuidado com as opiniões de quem já usou, o site Melhores Destinos fez uma pesquisa entre os leitores sobre quais eram os planos de seguro viagem preferidos, e foi por lá que comecei minha pesquisa, e mesmo assim achei essas aberrações. Serve como uma base pra começar, mas tem que ficar esperto. Tem seguradora que exige que você ligue antes de completar 24 horas  do acidente, internação, etc, olha que zica. Você estrupiado tendo que achar um telefone correndo.

Então nada de cair de cabeça na opinião dos outros (especialmente na minha) , faça sua própria pesquisa que você não se arrepende.

Pessoal é isso aí. Não esqueçam do seguro e mais importante: não fiquem doentes e não se acidentem, né.

Ninguém merece.

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A livraria mais legal de Paris

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Poucos cheiros são mais gostoso que cheiro do que livro. Aprendi isso cedo, enfiada na Biblioteca Municipal no centro de Curitiba, quando passava a tarde fuçando prateleiras e confraternizando com as traças ocasionais. Quanto mais marca de dedo, anotações e orelhas um livro tem, mais fantásticas são as suas histórias. Livro usado tem alma.

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Celine e Jesse, discutindo a 3 filmes

Desde que eu assisti a “Antes do Anoitecer”, coloquei na minha lista de desejos conhecer aquela livraria onde o Jesse (10 anos mais velho que no primeiro filme da trilogia), faz uma sessão de autógrafos do seu livro e a Celine aparece do nada pra jogar na cara do destino que ele errou feio na vida dos dois. Era a Shakespeare & Company.

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Tudo organizadinho e fácil de achar

Coerente com o nome, ela é especializada em literatura inglesa, mas não foi fundada por Shakespeare, veja só. Está no terceiro endereço desde que foi aberta em 1919 por uma americana chamada Sylvia Beach. Ela fechou a livraria indefinidamente durante a Segunda Guerra. Outro americano, George Whitman, a reabriu no endereço logo que a guerra acabou. Hoje ele está velhinho e mora em um apartamento em cima da livraria. A filha dele se chama Sylvia em homenagem à primeira proprietária.

Fica no Quartier Latin, o bairro dos intelectuais, da Sorbonne, com vista pra Notre Dame e uma pracinha na frente onde rolam palestras, conversas com escritores, sessão de autógrafos, sempre tem um evento por lá.

untitled-04910Logo depois que você entra nesse antigo convento transformado em livraria, há um poço dos desejos no chão. Na verdade é um buraco cheio de moedinhas dentro, tá mais pra um poço seco. 362321-shakespeare-and-company

O andar de baixo tem os livros novos (e caros, não vale a pena comprar lá), mas é quando você chega lá no fundo que a mágica começa.

b77e0485f38525eca1ff005af6469ad5Uma escadinha estreita de degraus gastos e muitos, muitos livros cobrindo as laterais te leva ao andar de cima, que mais parece uma viagem no tempo.

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Bom pra curar rinite

Numa das salas, livros infantis, uma caminha com dossel e milhares de bilhetinhos pregados na parede agradecendo a hospitalidade do lugar. É isso mesmo, desde o início o lugar abriga escritores famintos em troca de  algumas horas de trabalho.

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Lençóis certamente comprados antes da guerra

A tradição ainda perdura, e quem quer se sentir um pouco Hemingway ainda pode fazer esse acordo com os proprietários. Muita gente dorme lá algumas noites e paga varrendo o chão ou arrumando estantes. E a fila pra dormir nas caminhas surradas é grande.

Continue explorando e você encontra mais salas, mais camas com lencóis puídos, um piano, e um escritório que nada mais é do que uma caixa de madeira onde cabe você, uma mesinha e uma máquina de escrever. Sentado, não tem como ficar em pé não. Tem papel , e você pode usar a máquina de escrever se quiser. Pode tocar piano também se der vontade. Definitivamente é um lugar feito pra se perder, pra entrar e não querer mais sair.

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Banco pra quê? Senta nos livros!

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Espaços minúsculos arrancam a criatividade de dentro de você, ouvi dizer

A Shakespeare and Co fica na Rua de Bucherie, 37. Como já comentei, não é a livraria mais em conta da cidade, mas certamente é a mais legal.

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Tutorial do banho parisiense

Com a seca de São Paulo chegou a hora de importar a invenção que mais economizou água em toda a história da humanidade: o banho francês.

Você provavelmente já ouviu que as casas francesas tem avisos limitando a duração do banho, né? Tudo verdade, e agora que as casas de São Paulo também tem, essa informação acaba de perder a graça. Meu banheiro tinha um cartazinho em francês e inglês: “tempo máximo de banho: 10 minutos”. Não reclamei, já tava no lucro. Podia nem ter chuveiro e ser banho de gato com toalhinha na pia. Ou mais realisticamente, 5 minutos. É essa a marca que usaremos para este tutorial.

É sussa tomar banho em 5 minutos quando você tem um chuveiro preso no teto ouo na parede, dureza é quando você precisa de coordenação motora pra segurar a ducha com uma mão enquanto toma banho com a outra. É outro patamar de logística, que não seria tão ruim caso não fosse um banho de água dura.

AGUA DURA – não é gelo (eeeeeeeeeeeee), é a água tão, mas tão cheia de minerais, que cria depósitos nos azulejos, estraga a roupa na lavagem e transforma seu cabelo num emaranhado indomável.  Quero ver conseguir tomar banho em 5 minutos quando uma mão segura a ducha e a outra tá presa na bola de cabelo.

Enfim você consegue soltar a mão, mas precisa começar o banho de novo, porque fez tanto esforço que já tá toda suada. Se a essa altura o seu tempo não se esgotou, você tem uns 30 segundos sobrando. Nesse momento você decide gastar uns minutinhos a mais pra não sair cheia de espuma, certo? “Só dois minutinhos, ninguém vai se importar”, você pensa. ERRADO. O chuveiro tem tantos efeitos sonoros que é impossível você tomar banho sem o prédio inteiro saber desse acontecimento. Pode ter certeza que alguém está cronometrando pra poder bater na porta assim que chegar em 5:01. Foi graças ao chuveiro barulhento que tive certeza de que eu estava na casa mais econômica da cidade inteira: com mais três pessoas no apartamento, em um mês eu ouvi o chuveiro aberto exatamente uma vez.

UMA.

VEZ.

Sendo otimista e não querendo julgar ninguém, formulei algumas hipoteses:

– todos combinavam de tomar banho sempre que eu estava fora;

– o banho era mensal e os três tomavam ao mesmo tempo;

– banho de chuveiro só para estrangeiros, locais usavam o lencinho na pia.

– ….sério. uma vez.

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Versalhes – Vale a pena a visita?

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Sendo eu uma estudante responsável que não mata aula, fui conhecer Versalhes no meu último domingo em Paris. Fui até Notre Dame pra  pegar o trem com meus amigos britânicos. De Velib, ganhei de brinde uma dor de garganta sensacional por pedalar no frio. São mais ou menos 30 km num RER, os trens bacanas de 2 andares.

Chegamos umas 9:30, e fomos comprar os tickets. Eu tenho um lado muito infantil que me faz sair correndo (mas disfarçando) na frente de todo mundo quando estou saindo do trem ou metrô. Quando não ganho essa competição imaginária eu fico meio frustrada.  Mas neste caso foi a diferença pra não pegar 1km de fila que se formou assim que saímos do quisque com os ingressos na mão.

Com o sol lindão dando as caras resolvemos visitar os jardins antes. Os jardins são minha parte preferida, portanto merecem um post só pra eles. 

Quando a data da viagem estava chegando, eu ouvia muitas dicas de todos os lados, e a principal era “não perca Versalhes!”. Foi o ponto alto da viagem de muita gente, e me sinto um pouco ingrata já que não achei tuuudo isso.

O que sei é que se você não visitar, fica aleijado de uma parte importante da história da França. Então fica combinado assim, se você tem poucos dias em Paris, deixe pra próxima, a cidade já vai te ocupar completamente. Se você vai passar mais de uma semana, reserve um dia e vá visitar, neste caso vale muito a pena.

Vamos fazer justiça, é bonito. E grande, e dourado, e tudo isso num mega superlativo. Mas tão superlativo que dá pra entender porque o povo se revoltou e achou que pra lavar a alma só a guilhotina resolvia.

Um cadinho de História

Um dia o rei acordou inspirado e mandou construir um palácio longe de toda a gentalha, já que tava cansado daquele monte de pobre cercando o Louvre, que já andava meio caidão. Entupiu o novo palácio de luxo por todos os lados e o povão ficou um tempão sem saber o que rolava por lá.  Quando o caldo começou a entornar ele achou que estava seguro. Só que não adiantou. O povo não gostou da sugestão de comer brioches, cabeças rolaram e Versalhes se tornou patrimônio do povo da França. Pode escrever isso na sua redação do ENEM.

Por obra de algum iluminado, apesar do ódio popular o palácio foi conservado, assim como muitas das obras de arte. Pena que a mobília não teve a mesma sorte, a maioria esmagadora das peças foi vendida ou roubada.

Mas vamos à visita:

Se antes de ir à Versalhes você visitou o Louvre, vai ficar com a sensação de que, com exceção do Salão dos Espelhos, ele é um déjavú sem fim de salas, todas meio iguais à anterior. Lindas.

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Lindo na foto 

Mas na verdade ninguém nunca enxergou o chão

   Mas na verdade ninguém nunca enxergou o chão

 

Os quartos do rei e da rainha são uns dos poucos ambientes que tentaram mobiliar com o que restou, mas você sente que tá faltando alguma coisa. A decoração é meio espartana.

Quadros, muitos quadros. Nas paredes, no teto no chão. Lindos, mas você precisa paciência pra ver no meio da multidão insana que tira selfies EM-TODOS-OS-CANTOS. Não perca o quadro da coroação de Napoleão que ocupa uma parede inteirinha e dói de tão lindo.

Preste atenção também às estátuas que estão no térreo, elas estavam originalmente no jardim e foram substituídas por cópias pra preservar as originais. Todas lindas.

Duração: Reserve um dia inteiro, além de ser fora de Paris e ter que pegar o trem, você anda e anda e anda.

Quando ir: Indo num dia de semana, vai estar bem menos lotado. A única diferença é que não vai tocar música clássica no jardim, mas acho que dá pra sobreviver sem ela. A regra geral para finais de semana é ir em qualquer lugar  “menos turístico” (sim, eles existem).

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A caminha do rei tem pompons nas pontas

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a cama da rainha saiu direto de um conto de fadas

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Capela

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comprando tickets: O guichê fica logo depois da saída da estação do trem. Você pode comprar com antecedência, mas acredito que só vale a pena se o ingresso não tiver dia marcado. Vai que cai um toró? Você acaba perdendo os jardins, melhor parte.

Chegando: Paciência,tem fila. Muita fila, mesmo se você tiver comprado seus ingressos antes, na FNAC. Melhor começar ao contrário da maioria, vá primeiro conhecer os jardins e só a tarde visite o castelo. Fiz isso e foi bem melhor.

Comida: Vá com um plano, já que você vai ficar o dia inteiro. Tem um restaurante na entrada, perto do guarda volumes, que lembro que custava em torno de 30 Euros por pessoa. Se você seguir a dica de ver os jardins antes, lá no final tem um parque com lanchonetes, e você pode fazer um piquenique à beira do lago. Foi o que fizemos. Voltar para o centrinho da cidade é uma caminhada e tanto, você vai acabar tomando o trem e voltando pra Paris mais cedo.

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Coroação de Napoleão – pessoas em tamanho real para escala

Audio guides: Me arrependi de não ter gasto 5 Euros neles, não teria passado por um monte de salas meio iguais sem saber o que elas significam. Tem os guias humanos,  mas pagar um tour só vale a pena se você entender bem inglês ou francês, pois é muita gente em volta, e o barulho do ambiente somado à acústica ruim fazem você ouvir muito pouco. Eu dava umas migueladas quando um grupo parava por perto, mas é bem difícil entender a não ser que você ande abraçado ao guia.

Você pode baixar seu próprio podcast na internê e ir com seu áudio guide particular no seu Iphone. Aqui neste site tem vários, de muitos lugares.

 

http://www.ricksteves.com/news/travelnews/0602/france_downloads.htm

Banheiros: Outra constatação infantil: Versalhes foi construída sem banheiros HOHOHO.

Au Revoir Versalhes!

Au Revoir Versalhes!

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guia de compras (ou não)

Nem só de lojas caríssimas e grifes famosas vive Paris. Existem alguns tesouros guardados para quem resiste às tentações feitas especialmente para turistas, mas também é cheia de armadilhas que parecem tudibão mas não valem a pena. Mas antes de falar em lojas, vai um truque fundamental:

Como extrair a fofura que existe dentro de todo vendedor. Uma coisa que ouço muita gente reclamando é que vendedores são mal educados na França. Na verdade, eles não são, mas tem um truque: antes de pisar na loja, antes de botar o olho em qualquer coisa, precisa olha pro vorgulhoendedor e falar bonjour. É difícil  lembrar sempre, especialmente considerando que as vezes você vai entrar meio embasbacado e a última coisa que vai lembrar é de sair cumprimentando vendedor. Só vai lembrar na hora que quiser perguntar o preço, e aí você já perdeu alguns pontinhos,  mas mesmo assim dê um sorrisinho, fale bonjour, e só então pergunte. Outra lenda é a de que eles fazem questão de falar em francês pra dificultar sua vida. Mais ou menos. Se ele não foi com a sua cara, é provável, mas se você entrou com sorrisão, falou bonjour, e tentou perguntar em francês, ele vai se desdobrar pra te atender em inglês.

Como provavelmente um dos primeiros itens da sua lista de compras é perfume, um lugar muito bom pra procurar é a  Le Parfum de l’Opera.  Normalmente eu fujo de lojinhas brasileiras, já que não procuro por pastel de carne seca quando estou viajando. Mas nesse caso vale a pena. Além de atendentes falando português, o que vai facilitar a vida tremendamente, os preços são realmente bons. Chegar lá é fácil, é só contornar a quadra que está exatamente na frente da Galleries Lafayete e você encontra a lojinha. Porque na Galleries, você meu amigo pão duro vai comprar exatamente

NADA.

Sim, tem coisas lindas. Sim, tem todos os perfumes já inventados pela humanidade e outros que nem inventados foram, tem todas as grifes do sistema solar e mulheres loucas na mesma proporção, e tem tudo de caro que você puder imaginar. Se entrar num dia de “liquidação”, então, é a gaiola das loucas. Tudo o que adquiri lá foi claustrofobia. É o preço a pagar por lojas feitas para turistas. Mas apesar disso vale a pena entrar, o teto é lindo.

Sério.

Entre, olhe o teto, dê uma circulada pra dar risada da fila insana na porta da Louis Vitton e CAIA FORA.

Mas  nem tudo está perdido quando você conhece o

Bazar de l’Hotel de Ville –  AMEI. São 7 andares  que tem absolutamente tudo, roupas, perfumes, acessórios, decoração, eletrodomésticos, louças, bibicleta, coleira pra cachorro, e tudo num preço bem melhor que a badalada Galleries. Fica bem na esquina do Hotel de Ville, ali no meio do Marais.  Achei algumas coisas legais, como as latas de chá do Le Mariage Frères por um terço do preço original. Aliás, fica a dica pra quem gosta de chá, essas latinhas pretas são coisa de outro mundo.

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Fiquei sabendo que o Bazar foi comprado pelo mesmo grupo da Galleries Lafayete  e que está sendo renovado pra ficar mais apelativo pra turistas, e provavelmente tudo vai ficar bem mais caro. Se você for e não achar alguma coisa, é porque provavelmente está em uma das quatro lojas espalhadas na rua de trás. É, a loja transbordou e não cabe tudo lá dentro.

Uma loja que todo mundo que viaja acha o MÁXIMO comprar porque lá fora é barato blábláblá, mas que não tem nada de mais é a  ZARA. Nada a ver comprar lá. As lojas são muito zoadas, e tem praticamente o mesmo preço do Brasil.

 C&A – Achei bem melhor que a equivalente nacional, comprei várias coisinhas bacanas e estilosas de inverno.

Monoprix  – É uma rede de supermercados onde dá pra achar os melhores preços de maquiagem.  Tem várias espalhadas pela cidade.

Gilbert Jeune – Por mais que eu tenha uma paixão pela Shakespeare and Company, o melhor lugar pra comprar livros é a Gilbert Jeune. A mais legal fica na Place Saint Michel, no Quartier Latin de frente ao Sena. É certamente a loja mais amada por estudantes e ratos de livros em geral, dá pra passar horas vasculhando as prateleiras que tem desde edições raras de Alexandre Dumas até livros clássicos de segunda mão, baratinhos, excelentes pra quem quer praticar a língua. É o lugar pra comprar gibert-jeune-store-map.site (1)aquele livro cheio de orelhas com uma dedicatória a alguém que você nunca vai ser quem é. A livraria se divide em várias, de acordo com o assunto,  toma a praça toda, e o melhor, lá você sabe que os preços são justos, pois turistas são a minoria. Só olhar o mapinha aí do lado, todos os pontinhos amarelos são Gilbert Jeune, dá pra chegar a pé numa das andanças, de metrô que para bem na frente e tem dois pontos de vélib logo ali atrás. Não dá pra ficar mais fácil que isso.

Tem algum outro lugar bom bonito e barato que você amou fazer compras em Paris? Comenta ai!

 

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Begei

Surpresa boa é assim:  depois de algumas eras sem escrever nada e já na certeza que seu brógui caiu no esquecimento geral da nação, alguém te manda uma mensagem fofa dizendo que  as asneiras que você escreveu eram exatamente o que ela estava procurando,  e que o conteúdo que você acha bem marromeno-tem-tanto-blog-melhor ajudou pra caramba na viagem já feita ou no planejamento dela. Eeeeeeeeeeee!!!

Então tô voltando, vou ali tirar umas teias de aranha das paredes e ressuscitar esse canto que me fez conhecer tanta gente legal. Você que já dava risada das minhas vergonhices alheias, prepare-se,  tá vindo mais por aí.

 

 

 

 

 

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Minha casinha parisiense

Quem vai estudar fora normalmente conta com a ajuda da escola na hora de arranjar um cantinho pra chamar de seu, nem que seja por uma semana. Se você é milionário provavelmente vai escolher entre passar sua temporada num flat exclusivo no 16eme, o bairro onde mora o Sarkozy, ou no Hilton, e nesse caso sua leitura acaba aqui, boa viagem. Mas pra quem não toma banho com água Perrier, basicamente existem duas opções: casa de família ou apartamento de estudantes.

Dependendo da escola e se for na época de ferias escolares, você ainda consegue ficar nos dormitórios da universidade, e de quebra mata aquela sua vontade de morar na Sorbonne, que estará meio abandonada mas ainda é a Sorbonne. Quem vai sem escola tem uma opção genial chamada  AIRBNB, o site que meus amigos europeus usam pra dormir barato quando viajam. Você consegue um quartinho honesto na casa de um francês, e procurando com calma você encontra alguns que tem entrada externa, banheiro exclusivo e  mini cozinha e ainda é pertinho de tudo. Mesma opção vale pra quem vai com família, amigos, etc, mas aí o lance é alugar um apartamento inteiro. Vale a pena, se cadastre lá e faça a festa. É o que eu faria hoje.

O que levar em conta na escolha:

Nas fotos é tudo assim…

…aí você chega lá e é igualzinho.

Quem fica em apartamento de estudantes tem um quarto individual com chave, e divide os ambientes comuns. Nesse caso seus roommates podem ser vários chineses numa semana, ninguém  na outra, um senegalês, dois alemães e um esquimó na terceira, é uma zona.

Vantagens – ninguém tá nem aí pra você, você faz o que bem entende desde que lave seu prato. Pode ser que seus roomies sejam legais, e aí você ganha amigos, já que provavelmente todos estarão na mesma situação que você, sozinhos e longe de casa.

Desvantagens – ninguém tá nem aí pra você, seus roommates podem ser um bando de malucos surtados comedores de cocô e você começa a considerar que dormir num banco de praça é melhor do que na sua cama. Mas aí acho que o seu guarda vai realmente achar você um vagabundo delinquente, e não vai estar aí que você tava carente pensando nela.

Considere que as opiniões acima são de alguém que não ficou em apartamento de estudantes, é minha percepção mas não tenho certeza de nada. Só conheci uma chinesa que ficou em um e achou estranho, mas ela era esquisita e viciada em Harry Potter,  então não conta.

Custo – Quando eu fui era a opção mais em conta, não vai ter café da manhã nem jantar incluído no preço, mas em compensação você compra o que quiser pra comer em casa (torcendo para você encontrar  roommates legais que não assaltem sua prateleira da geladeira).

Madame está sempre te olhando, mesmo quando não está.

A outra opção é casa de franceses, e o principal atrativo é ver como uma família vive realmente, e fazer parte dessa rotina ainda que por pouco tempo. Só considere que a pessoa que aluga um quarto dentro da própria casa, pra alguém que nunca viu, provavelmente é porque está precisando da grana extra, e não porque quer viver a fantástica experiência de morar com um intercambista. Então não precisa ir super animado, carregando latinhas de Guaraná nem pacotes de farofa pra essa super integração cultural que provavelmente não vai rolar, ok?

Partindo desse princípio, suas chances de ficar numa casa rycaaaahh com piscina aquecida e mordomo são bem restritas. Leve os euros pra pagar sua estadia assim que chegar e tudo estará bem pra você.

Se fizer muita, mas muita questão, leve uma lembrancinha, mas conheça a história do chinês que ficou quatro meses, fez um quadrinho fofo com uma montagem de fotos dele com o pessoal da casa e um dia depois o quadrinho tava socado na estante de livros do banheiro. #FICADICA. Eu sou a favor de mandar depois, pelo correio, caso role uma amizade sincera e verdadeira entre você e seus hosts. Eu não mandei pois senti que eles estavam interessados apenas no meu dinheiro, assim como no dinheiro do chinês.

Palpites para lembrancinhas:

CANECAS – as que madame ganhou estavam em uso na cozinha, substituindo as que os estudantes quebraram. Mas que pentelho levar um troço quebrável na mala, hein?

HAVAIANAS – se você caiu na história que Havaianas são legais no exterior e o povo baba nelas e usa pra passear, problema seu. Na França em Paris é um CHINELO DE FICAR EM CASA E LAVAR BANHEIRO, nem os hipsters eu vi usando. Talvez algum turista americano, mas eles são considerados os turistas mais bregas do planeta.

PEDRAS BRASILEIRAS, TUCANOS DE MADEIRA – Qualquer coisa que você encontre em lojinhas de turistas nos aeroportos do Brasil. Sei lá, se eles forem bregas vão gostar.

Meu quarto (esse aí ao lado, desocupado pelo chinês do quadrinho no dia anterior) era limpinho, tinha uma conexão de internet, uma escrivaninha com cadeira, um armário e uma cômoda reservados pra mim, um armário cheio de casacos deles, uma tv que nunca funcionou e um sofá cama. E um palhaço pendurado, bom pra tratar meu pavor de palhaços. E claro, o MALACAFENTO do sofá cama. Nada no mundo é pior do que dormir um mês num sofá cama, mas não se iluda que ninguém vai te contar antes, você descobre quando chegar. Ainda bem que tenho maturidade de 5 anos e levei meu travesseiro comigo, compensava o fato de acordar dentro da dobra do sofá todos os dias.

Se você for no verão se prepare pra dormir sofrendo e suando, a França ainda não foi apresentada ao ar condicionado. Mas todos os lugares são bem preparados pro frio.

Lavando as roupitchas

Se você der sorte vai poder lavar roupa na casa, já eu que sou meio desprovida desse item fui informada de que a lavanderia pública ficava a 5 quadras. Já mencionei que sou muito, mas muito mão de vaca com coisas bestas que levam seu dinheiro embora? Pois bem, ainda aqui enchi duas garrafinhas de água de coco, uma com sabão em pó e outra com amaciante, e enfiei na mala (e você achava que já tinha visto de tudo). Se você não chega ao meu nível, tem sabão em unidades individuais pra vender na lavanderia, ok? Custa €1 cada.

Acabei resolvendo que não faria sentido carregar uma pilha de roupa suja por 5 quadras pra lavar roupa na lavanderia, já que pra valer a pena os 5 euros (só lavagem, sem secar), eu teria que acumular bastante roupa, e aí nem teria o que vestir,  então minha Brastemp foi A PIA.

Sim, senhores leitores, lavei calças jeans na pia do banheiro e botei pra secar na varanda. Quando contei isso pra minha amiga australiana ela respondeu com  “que? Tá doida? Desde quando que precisa lavar calça jeans?”.

Essa técnica ancestral funciona bem no calor e no frio, já que o aquecimento é bom pra caramba e a roupa seca bonitinha no quarto. Não, não precisa transformar o ambiente no quintal da casa da sua avó, cheio de roupa no varal. Você vai usando e lavando, é pouquinho de cada vez.  Cadeiras são varais legais quando você não está sentado nelas.

Guia de alimentação

Caí no conto do “café da manhã incluído”. Não que fosse ruim, mas é limitado. Ganhei uma prateleira da geladeira, e me mostraram quais comidas das outras prateleiras eu estava autorizada a comer. Todo dia tinha pão, brioche e croissant, manteiga, iogurte, leite, café e suco. Mas ninguém prepara pra você, né, não é hotel, abra a geladeira e se vire. “Mas porque a reclamação?????” vocês devem estar se perguntando agora: porque os mercados são uma delícia de fuçar, e a dona da casa era meio sem imaginação e comprava sempre a mesma coisa. Se fosse hoje eu escolheria sem café da manhã e compraria o que eu bem entendesse. Fora o peso na consciência  que dá se você resolve tomar seu petit déjeuner num café e se sente jogando dinheiro no lixo.

Nem sonhe em escolher opção de jantar incluído, ou se verá obrigado a voltar pra casa cedo e comer o que eles quiserem pelo tempo que ficar lá, porque já pagou antecipado por essa furada e vai se odiar para todo o sempre.

Guia Glorinha Kalil de comportamento na casa de estranhos

Não ande sem calças. Meu host fez isso uma manhã, mas era casa dele então acho que ele podia se quisesse, né. Problema meu se fiquei sem graça com a situação.

Como você vai ter a chave, ninguém vai te encher o saco pra sair e voltar a hora que quiser, mas se as portas forem mega barulhentas como eram lá, cuidado pra não acordar a casa. Mas não passe por ninguém sem falar bonjour, ou sua variante bonsoir. Mesmo que esteja sem as calças.

Apesar do quarto ser seu, mantenha o mínimo de ordem e decência, vai que eles decidem entrar lá pra pegar um casaco guardado e tá tudo revirado, já pensou você, um adulto que paga suas contas, levando bronca? De um francês?

Ninguém é seu empregado, lave sua louça e tente não quebrar mais que um copo, como eu.

Não abuse, mas se precisar peça ajuda dos hosts, normalmente eles são muito gente boa. Ganhei deles um ticket do metro, pra não ficar feito louca procurando como comprar na manhã logo antes de ir pra aula pela primeira vez. Eles eram tão legais que não previ que sumiriam na noite que fui embora e precisava desesperadamente que alguém chamasse um táxi pelo telefone e me ajudasse a descer com as malas. Tudo gente escaldada com estrangeiro, tá louco.

Como já contei por aí, na casa que eu fiquei ninguém falava NADA além de francês, e as primeiras semanas foram de muita conversa. Entre eles. Mas seja simpático, coma na mesa ao invés de levar comida pro quarto (confesso, fiz várias vezes), e tente estabelecer uma conversa cordial e civilizada. Pode ser que ninguém se entenda, nesse caso fique apenas sorrindinho.

Guia do Telefone

Esse é o guia mais fuleiro de telefone que existe, já que levei o notebook pra não ter que usar nada além do Skype e em um mês usei um telefone apenas uma vez, e  ainda por cima foi pra ligar pro André, meu novo amigo brasileiro que mora em Paris. Nível de complexidade zero, e só liguei porque era ligação local e não ia precisar ficar fazendo contas do quanto tava devendo pra madame. Se puder leve um laptop amigo, eu conversei todos os dias com o Alê por Skype e isso ajudou muito a diminuir a saudade, grátis.

Pensando bem , lembro vagamente de ter ligado de um orelhão pra madame quando cheguei e tava perdida na estação do metrô, mas eu tava tão apavorada que minha mente bloqueou esse fato e não tenho a menor ideia do que se passou. Acho que sonhei.

DICAS ALEATÓRIAS

Uma certeza você tem: nunca vai faltar material de leitura pras suas horas de solidão.

– troque emails com seus hosts antes de ir, tire todas as dúvidas possíveis. Se não sabe bulhufas na língua deles, o Google Translator tá aí pra isso e te salva nessas horas.

– se for chegar de táxi, não espere que o motorista conheça o nome da rua que você vai, nem pontos de referência que pra você seriam óbvios como “fica em frente aquela academia gigante de nome x”. Imprima o mapinha da região, marque bem a rua e entregue pra ele. Google Maps tá aí pra isso.

– leve o telefone dos hosts na bolsa, óbvio. Na emergência você entra em um hotel onde provavelmente alguém vai falar inglês ou espanhol, e pede socorro.

– quando eles disserem que você terá um “banheiro no quarto”, considere que isso pode significar outra coisa, como no meu caso, que além de não ser dentro (era de frente pro quarto), não era exatamente um banheiro, era um quartinho sem janela com um vaso sanitário e uma estante de livros(???). Sem pia. Mas era todo pintado com estrelinhas no teto e solzinhos na parede, e claro que isso mais que compensa ter que lavar a mão num frasco de álcool. A má notícia é que não é exatamente anormal ter esse tipo de banheiro por lá, por mais estranho que pareça. No final do corredor ficava a salle de bains, nome muito chique pra saleta onde tem a pia e o chuveiro. O banheiro da madame tinha vaso, pia, chuveiro, banheira e a máquina de lavar que eu não podia usar. Mas a vida tá aí pra tirar a gente da zona de conforto e nos  forçar na adaptação.

minha revolução francesa rolou aí

– todo mundo é meio neurótico com economia de água, e provavelmente eles terão um aviso simpático no banheiro lembrando que o seu banho deve durar 5, ou nos casos generosos, 10 minutos. Apesar do malabarismo necessário pra segurar o chuveiro numa mão e se lavar com a outra, é possível. Melhor que banho de caneca. Eu gastava mais tempo que o permitido quando lavava o cabelo, mas fechava a água no meio do banho, e nunca reclamaram. Na primeira semana fez muito calor, e nos dias mais quentes eu subverti a ordem do sistema e tomei DOIS banhos no mesmo dia, porque sou muito rebelde. E covardona também, só fiz isso quando sabia que estava sozinha em casa.

Dúvidas, escreva pro Serviço de Atendimento ao Leitor aí embaixo.

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La Recoleta

A Recoleta é o bairro phyno das madames, dos passeadores de cachorros e do cocô de cachorro na calçada, o que complica um pouco a vida dos turistas que não podem olhar a paisagem andando, só parados. Mas é um bairro bonito e tradicionalíssimo na linha do tem-que-ir,  já que é cheio de coisas interessantes. Fizemos o roteiro debutante, que inclui obrigatoriamente:

Livraria El Ateneo

Certeza que você já ouviu falar, todo mundo tem que ir nessa livraria linda que fica num antigo teatro (como o casal muy, muy simpático da foto ao lado).  Como era esperado, fomos e ficamos embasbacados, tomamos um café (caro) fuçando os livros, ainda embasbacados, mas não levamos tudo o que queríamos porque não somos retardados. Os preços não são dos melhores, então se você é rato de livraria como eu, do nível que a mãe dava dinheiro pra roupas e você comprava livros, como eu, controle-se. Minha estratégia foi fuçar o que eu queria, guardar preços e fuçar outras livrarias menos badaladas. Se não encontrasse, voltaria lá. Não precisei voltar, ha!

nível da idade mental

Os preços variam demais de um lugar pra outro, vale a pena pesquisar bastante. O livro que estava 270 pesos lá eu consegui por 199 numa banquinha (Toda Mafalda, ainda não amadureci o suficiente, me deixem).

Se você gosta de cinema argentino, há bastante variedade de devedês, mas a filial da Calle Florida ainda tinha bem mais títulos, apesar de ser menos charmosa. Só um dos filmes da lista não encontrávamos de jeito nenhum e tivemos que fuçar vários becos até encontrar (se você estiver  à  procura de Nove Rainhas, ou Nueve Reinas, do glorioso Ricardo Darín, me pergunte e eu te vendo a localização de onde comprar). Saindo de lá e andando algumas quadras você chega no…

Cemitério da Recoleta

O mais famoso condomínio de pés juntos da cidade, residência final dos portenhos ricos e famosos, vários ex presidentes e outros ilustres habitantes menos conhecidos.

O túmulo da Evita é facim facim achar, é o único com multidões. O fascínio que esta senhora ainda desperta naquele povo é algo que nem a ficção científica previu. Ela está enterrada no terceiro subsolo, e o túmulo é protegido contra bombas (ai). Mas isso é fichinha perto da história surreal que certou sua morte:

tchorando mucho com a Evita ( e atrás é uma rosa, não um pompom,                           já passei dos  5 anos)

1 – foi embalsamada, com a intenção de que ficasse sempre perto dos seus descamisados;

2 – o monumento planejado para guardar seu corpitcho (não construído graças a algum surto de sensatez, talvez) tinha o tamanho de TRÊS Cristos Redentores;

3 – o corpo desapareceu durante um dos muitos golpes, e ficou sumido por 3 anos.

4 – durante esse tempo, supostamente só dois soldados sabiam do paradeiro em Buenos Aires, e um deles resolveu abusar sexualmente da Evita cadáver(mil vezes eca);

5 – o corpo reapareceu, mudou pra Milão, ficou lá 14 anos e finalmente o viúvo Perón o levou para sua casa, para viver com ele e a esposa atual, e o colocaram num balcão ao lado da mesa de jantar, pra enfeitar;

6 – finalmente deram um destino decente pro corpo e foi transferido pro túmulo que sua família construiu com o dim dim que Perón mandou.

A gente sabe que cada cultura encara a morte de formas diferentes e tal, mas nada no mundo me preparou pro TERROR que Recoleta causou em mim. E olha que eu não tenho medo de cemitério, tô nem aí com as seis milhões de caveiras das catacumbas de Paris, mas A-PA-VO-REI. E a razão são esses bonitos caixões aparecendo nos mausoléus, pelo cemitério inteiro.

Minha gente, QUE QUE É ISSO????? Caixão foi feito pra ficar embaixo da terra ou escondido atrás de placas de concreto, não assim à vista, coberto apenas por uma prosaica toalhinha que as vezes balança no vento que vem da vidraça quebrada e parece que alguém vai levantar dali na mesma hora. Num guentei, catei um guia pelo braço e ele confirmou que é isso mesmo, aqueles são os caixões reais com pessoas dentro, a única diferença dos nossos é que eles são forrados internamente com placas de metal pro material orgânico chamado cadáver (eca) não apodrecer a madeira (eca). Depois dessa eu tava preparada pra encontrar múmias embalsamadas sentadonas em cadeiras e não ia me surpreender.

Agradecimentos ao Aloxondro que sorriu pra foto ficar menos sisuda.

Falando em cadeira, a estátua com a história mais bacana tem um sujeito sentado em uma, essa aí ao lado. Resumindo, o figura era importante na cidade e quando morreu a mulher mandou construir uma estátua em cima da tumba, mas com ele sentado olhando na direção oposta de onde ela seria um dia enterrada, pra se vingar do maridão que um belo dia resolveu mandar uma carta circular pela cidade avisando que não se responsabilizava por nenhuma das dívidas da mulher. Um casal meigo.

Para ouvir mais histórias macabras HOHOHO se informe sobre os horários das visitas guiadas, tem em inglês, espanhol e até italiano.

 

Hora de ver gente viva

Saindo do cemitério e pegando a esquerda, logo ao lado há a Basílica del Pilar, uma igreja como tantas outras, segunda mais velha do país, não vale mais de 5 minutos de visita. Na frente fica uma praça enorme, com feirinhas de artesanato e shows aos finais de semana. Logo ali fica o Centro Cultural Recoleta,  mas acho que tinha alguma bomba lá dentro no dia, já que a polícia mandou a gente dar meia volta. Mais uns passos e fica a casa do Design, mas essa ficou pra próxima.

Atravesse a Plaza Francia na direção oposta ao cemitério e vai dar de cara com uma figueira gigante, e um restaurante bacana em frente que era um ponto de aficionados por automobilismo, o La Biela. Entre pra ver as fotos, o ambiente é muito legal. A comida eu não tenho a menor ideia.

Vi essa cabine telefônica e achei que estava em Londres, porém era só Buenos Aires. Atrás o La Biela.

A melhor rua pra ver o comércio local é a ALVEAR, obviamente confundimos e pegamos uma paralela que não tem nada pra comprar, só uns casacos de couro de 6 mil reais que a vendedora estava animadíssima pra me mostrar (tenho com cara de rica desde quando?).

Gente desse Braze-el, esse post ficará sem final porque voltei a trabalhar, o trabalho enobrece o homem mas acaba com a pessoa, e hoje ainda perdi um casaquinho querido no caminho, ô forma de começar bem o segundo dia de trabalho. Num tô conseguindo pensar muito pra finalizar, não. Mas fiquem ligadinhos, logo eu reacostumo com essa vida de trabalhadora e volto a usar o célebro cérbero cerbelo cabeça.

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O que fazer em Buenos Aires – Rua Florida

Buenos Aires já foi destino de sacoleiros. Já foi. A inflação de 30% ao ano não tá ajudando e anda tudo caro, mesmo preço do Brasil ou mais. Mas mesmo que você não encha malas de compras, ainda dá pra fuçar as lojinhas. Um dos principais pontos de compras na cidade é a:

CALLE FLORIDA

(não é Flórida, é florida de cheia de flores mesmo. Só faltam as flores.)

Considere-se um argentino legítimo se conseguir atravessar o calçadão de ponta a ponta sem ninguém te abordar com os gritos de PASSEOS, CAMBIO, CUEROS, SHOWS DE TÁNGO e variações do gênero.  Certamente a rua onde  mais se ouve português na cidade toda. Além da brasileirada turista andando de lá pra cá tem aqueles que mudaram pra lá  e hoje ganham a vida em pesos.  O problema desses é que CHEIRAM os turistas de longe e vão direto em você anunciando as mesmas coisas em português. Nenhum deles me irritava muito, só a mulher da cobra*, socorro. É uma pentelha duma loira de farmácia que fica lá com camisa da seleção vendendo passeios, sensualizando na voz no BOA TARRRRRDE (R de carioca, não de piracicabano).

Tenho muito medo do câmbio que anunciam lá, certeza que é algum golpe numa sala escura e esfumaçada com capangas armados.

*mulher da cobra – existe desde que eu nasci e fica no calçadão da Rua XV em Curitiba vendendo jogo do bicho aos berros.

Paradas imperdíveis da Calle Florida:

Falabella – Quando alguém te indicar algum lugar, leve por escrito num papelzinho. Passamos a semana esnobando a loja porque tínhamos certeza que uma amiga falou que não valia a pena ir, entramos no último dia e a loja é o máximo. Quando fui perguntar porque raios ela falou pra não ir ouvi um “ha? tá doida? eu falei que era pra ir e a loja é fantástica!” (insira minha cara de bunda aqui).

Lá tem de tudo mas o bacana é a seção de decoração. São duas lojas na Florida, entre nas duas que o mix de produtos é diferente. Trouxemos uma cafeteira francesa por 50 pesos, a mesmíssima custa mais de 100 reais no Starbucks.

Galerias Pacífico – A única galeria bacana de verdade da rua, as outras são todas padrão centro de São Paulo. Tudo é caro, mas ela é lindíssima, especialmente a noite.  Vá no piso inferior visitar a Morph, outra loja de decoração muito legal. Lá funciona o Centro Cultural Borges, que tem exposições famosas de tempos em tempos como Frida Kahlo e Pablo Picasso. Tem shows de tango também.

florida garden confiteria

imagem retirada de http://www.tangocity.com

Florida Garden Confiteria – Dê uma paradinha pra tomar um chá nesta máquina do tempo. É um dos cafés notables da cidade,  lugares que recebem esse título por terem a arquitetura preservada, serem relevantes culturalmente, normalmente foram frequentados por personalidades. Neste o Jorge Luis Borges era figurinha habitual, e certeza que os garçons ainda são os mesmos que o atendiam. Foi sentada lá vendo todos os velhos elegantes, praticamente lordes ingleses tomando chá as 3 da tarde, e as velhinhas lindas nos seus casacões de pele que eu decidi que serei uma velha aposentada na Argentina, tomarei chá todos os dias com um poodle na outra cadeira, mas meu casacão será sintético.

NÃO PERCA DE VISTA – O lindo prédio do Centro Naval, esquina com a Córdoba, na frente das Galerias Pacífico. Apesar dessa foto porca que foi a melhor que achei.

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Mi Buenos Aires querida

Após uma longa pausa vamos dar outra pausa no falatório sobre Paris, e falar sobre nossos hermanitos arrentinos.

Planejando para onde ir nas férias de junho buscamos um roteiro que juntasse frio, preços baratos e comida boa , e Buenos Aires pareceu uma boa opção.  O Alê ainda não conhecia, eu passei uma semana lá aos 11 anos de idade, numa excursão de criançada, e preferia mil vezes passar o dia na piscina do que conhecer a cidade (ou seja, meus pais pagaram pra eu ir a Buenos Aires ficar uma semana na piscina). E nisso eu fundamento minha teoria de que certos lugares deveriam ser proibidos para menores de 20 anos, não vão aproveitar nada mesmo.

Uruguai num dia agitado

PARANDO PELO URUGUAI

Pegamos um vôo da Pluna com escala em Montevideo, e começam    as grandes surpresas da viagem:

1 – Uruguai tem uma empresa aérea.

2 – Tem aeroporto no Uruguai.

Praticamente o aeroporto todo é tomado pelo Free Shop, um dos melhores que já vi. A escala ia ser curta não fosse a greve em Buenos Aires (chamada lá pelo eufemismo de “tráfego áereo”), e começou a bater fome. Fomos pro único restaurante da área de embarque e nos demos conta de que nem sabíamos qual é a moeda do Uruguai, muito menos a cotação (agora eu sei, peso uruguaio). Os preços todos na casa dos 400, 500 alguma coisa, mas afinal, mesmo num aeroporto dois sanduichinhos de miga de atum e duas cocas não podem ser tão caros assim, certo? ERRADO. Esse mísero lanchinho saiu o roubo de 33 AMARGOS DÓLARES.

Lição 1: JAMAIS comprar NADA sem saber a cotação.

La miga no és muy amiga

Ainda PUTOS com o que viria a ser uma das refeições mais caras da viagem, embarcamos no vôo de meia hora até o Aeroparque de Buenos Aires. Gente, a Pluna é muito barata, mas tão barata que não servem nem uma mísera água a bordo, se vire você.  Tudo pago a preços uruguaios. Quase chegando avisam que o avião ia ficar UMA HORA E MEIA no ar por causa do “tráfego aéreo”.  Nessa altura achamos que não valia a pena ficar mais putos ainda, catei meu laptop e fui jogar The Sims. Mal deu tempo de começar a manipular a vida alheia, passa a aeromoça num surto mandando fechar tudo pro avião descer, porque tinha alguém passando mal (já notaram que o espanhol é uma língua muito legal pra ter pitis?).

Lição 2: Se vierem de palhaçada, enfie o dedo na garganta, vomite, comece a tremer e babe, em dois minutos seu avião estará pousando.

Agora, pode um país do tamanho do Uruguai ter um aeroporto internacional umas mil vezes mais bonito que o aeroporto mais importante do Brasil? Guarulhos não é aeroporto, é uma grande rodoviária onde estacionam aviões.

TCHEGANDO

Se puder, não troque NADA no câmbio  do aeroporto, é a pior cotação que existe. Ou troque só pro táxi até o hotel. Quando você vai pra Arrentina todo mundo diz pra cuidar e só pegar táxi do aeroporto ou que o hotel chamar, mas olha, aeroportos são um mundo à parte, uma quadrilha internacional que cobra preços ridículos por tudo. Então, engula o cansaço e seja forte, não custa nada dar uma comparada nos preços das empresas de táxi, não saia contratando o primeiro, como nós fizemos, e pagamos 76 pesos pelo mesmo trajeto que custou 58 no caminho inverso.

DORMIENDO EN EL HOTEL

Recomendação é uma coisa infeliz, você ama, recomenda, a pessoa vai lá, odeia e a culpa é sua. Isso se eu me importasse, mas tô nem aí, se vai seguir minha recomendação aguente o risco, ou vai no Trip Advisor ler o pitaco de mais gente.

dazzler

Nosso quarto era igual esse mas sem as flores, bandipãoduro.

Ficamos no Dazzler San Martin, um hotel business que fica bem no centro, a uma quadra da Calle Florida, a rua onde mais se ouve português na cidade. O quarto tem cama King Size, banheira, WIFI que pega direitinho sem você precisar ir no lobby e Warner em espanhol, pra você assistir Dos Hombres y Medio (mentira, só o SBT traduz nomes de séries). No hotel ainda tem um spa com piscina aquecida (claro que esquecemos disso na hora de fazer a mala), e massagens baratinhas que você paga a parte. Mas tem que reservar com sei lá, uma semana de antecedência, toda vez que tentamos tava lotado.  Mas gente, calma, é Argentina e ainda é barato.

Melhor lugar na minha opinião pra comprar passagens já era o Decolar.com (ou como os hermanitos chamam, DESPEGAR.COM), e dessa vez compramos o pacote todo lá. Fica mais em conta que comprar separado, o nosso ficou praticamente a metade do que a CVC cobraria.

REAIS, DÓLARES, RÚPIAS, XING LINGS?

Na classificação “coisas que só aprendemos quando não adiantava mais” estava que pagar em Reais vale muito a pena em algumas situações. Enquanto nas casas de câmbio e bancos a cotação ficou em torno de 1,80, em alguns restaurantes e lojas a cotação para compras em real era de 2,50. Em dólar também compensava, mas sempre tem que ter pesos pra metrô, entradas de museus ou pra comprar alfajores num kiosco que não aceite mais nada. Tenha em mente que a economia na argentina é extremamente instável, o que vale agora pode não valer daqui a pouco. Mas ta aí, aviso dado. Nem todo lugar aceita cartão, fazer o quê.

MERCADO

Como sempre, o mercado é seu melhor amigo. Nosso abastecimento diário era composto de:

Dulce de Leche La Serenissima – Nada no mundo se compara ao doce de leite argentino, nada. Especialmente se for La Serenissima.

Grissinis – Qualquer marca tá valendo, é só pra servir de colher pro doce de leite mesmo.

jorgitoaa

Alfajores Jorgito – a marca da infância dos argentinos. Mais honesta que marcas sofisticadas como Havana, deve ser tipo um Dadinho pra eles.

Gaseosa Paso de los Toros sabor Pomelo (grapefruit) – É amargo como um castigo mas perfeito pra equilibrar o doce de leite. Categoria ame ou odeie. Eu odiava desde a primeira vez que enfiei goela abaixo, aos 17 anos, última vez que botei o pé na Argentina. Um garçom me convenceu a dar uma nova chance e ele ganhou um lugar especial junto a todos os refrigerantes ruins que eu adoro, como Dr. Pepper, Guaraná Jesus, Inca Kola e Root Beer.

Próximos posts –  Lugares legais pra visitar, comidas maravilhosas para encher a pança e mucho, mucho más.

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Yaël Naïm em São Paulo CORRÃO

Ela nasceu em Paris e aos 4 anos mudou com a família para Israel, se apaixonou por música ainda criancinha e hoje é uma linda com uma voz incrível e músicas adoráveis que apaixonam qualquer um, e ela estará aqui em São Paulo agora em Maio!

A Yaël está vindo divulgar o novo álbum SHE WAS A BOY, o show lindo que eu assisti em uma cidadezinha vizinha a Paris chamada Noisy-le-Grand. Diferente do primeiro CD que tinha várias músicas em hebraico, esse é inteirinho cantado em inglês.  No show ela contou que ainda se embanana pra cantar em francês, fofa. Ela toca, canta, pula, brinca com os instrumentos, faz uma mistura do inusitado com o encantamento, dá vontade de invadir o palco pra dar um abraço nela.

A música mais conhecida é a NEW SOUL, que foi usada no comercial do MacBook Air nos EUA.

Já a minha preferida do novo álbum é essa aqui, Come Home. Pelos clips você sente a figuraça.

Estou vivendo uma séria crise de falta de companhia pra ir a esse show, marido viajando é uó, os amigos que eu chamei até agora não podem, tô quase comprando o ticket e indo sozinha mesmo (again).  Então quem estiver indo me avisa, promete?

São duas datas:

Yaël Naïm

30 de maio no Bourbon Street
R$90

31 de maio no teatro do Sesc Pompéia
De R$8 a R$32

Aqui segue uma resenha bacana pra você conhecê-la melhor

A moça também tem site, vai lá ver.

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Comendo bem e barato

A melhor parte da comida de Paris é que lá nada engorda. NA-DA. Você pode comer o dia inteiro e no final do mês o saldo na balança será negativo. Isso é possível porque VOCÊ VAI CAMINHAR FEITO UM PESTIADO CONDENADO À MORTE.

Isto posto, vamos a um guia prático de como comer bem e barato sem precisar assaltar o sopão dos mindingo. Exatamente, aqui não é um guia dos restaurantes chiques, para isso recomendo que você procure o blog de uma dessas pessoas phynas e rycahs que vão pra lá comer nos estrelados do Guia Michelin.

Aqui você encontra alternativas até saudáveis, bem gostosas e bem baratas para situações hipotéticas mas muito realistas, como bater aquela fome desgraçada no meio do dia mas você achar abuso deixar pelo menos 15 euros num restaurantezinho meia boca pra turista. Então você corre pro:

ói que fófis, fui procurar uma foto e achei esse em que por acaso comprei coisas no dia da visita do Museu Carnavalet

LE MARCHÈ – O supermercado é seu melhor amigo, amigo. Tinha um Carrefour num shopping ao lado de casa, zoado que nem os daqui mas com algumas coisas bem legais que ou não se encontram nas terras de cá, ou quando existem são vendidos em barras de ouro que valem mais do que dinheiro. Mais pro centro vão sumindo os mercados maiores e pipocando os mercadinhos. As vezes eles são tão inhos que cabem no seu quarto e o caixa é o único funcionário (provavelmente proprietário), preso num quadradinho de 50cm² onde ele pesa as suas bananas, registra suas compras e fica ali vendo a vida passar.  Os inhos inhos se chamam épicerie, como esse aí ao lado. As frutas normalmente são lindas, compre muitas para uma temporada saúde.

Mercadinhos até vendem baguetes, mas deixe pra comprar o seu pão nas boulangeries (padarias, aula de francês di grátis), vai por mim. No mais compre tudo, enfie na bolsa e coma quando der fome. Nos nem tão inhozinhos você encontra sanduíches ou saladas prontas que já vem com garfinho.

Até quem não gosta de queijo muda de ideia numa Fromagerie

Gente, as saladas são muito boas, sério. Por €2  eu comprava uma salada de peito de frango com alface e cenoura, e molho no potinho pra misturar na hora. Super econômico e você almoça sentado no gramadão do parque, junto aos milhares de outros franceses que fazem isso sem constrangimento algum. Os mercados vendem os melhores queijos do mundo por um preço ridículo, e você passa o mês comendo queijo Brie com preço de mussarela.

Se por acaso você está procurando uma experiência assim mais GASTRONÔMICA com seus queijos, procure as fromageries. São de ficar maluco e você começa a considerar comer aquele mofo recheado de bolor. Não, eu não comi, tenho princípios e não como coisas vivas além dos lactobacilos do Yakult.

lindo mofo esperando para ser apreciado por pessoas sofisticadas

Já falei dos iogurtes? Socorro, são muito bons. É muita variedade, muito sabor diferente. A parte ruim é que você vicia em iogurte de cereja e nunca mais acha aqui, só muito de vez em quando que a Activia resolve ajudar você a ir ao banheiro com gosto de cereja.  Viciei mesmo foi no arroz doce de potinho, ai que pobreza. Tem creme brulée mas nem  tente, já que a casquinha de açúcar tem que ser feita na hora pra ficar durinha.  Mas coma um de verdade numa confeitaria, é muito bom.

Se ISSO vira iogurte, deviam fazer iogurte de alface também. Vou sugerir.

 O único  iogurte ruim que eu comi (bem feito pra mim) foi o de ruibarbo.  Mas olhando pra essa foto ao lado dá pra entender que se você decide comprar um iogurte feito de um VEGETAL não pode nem reclamar que o bicho é ruim. Comi os últimos 2 potinhos sem respirar, no dia de vir embora,  só pra não jogar fora. Mas o povo lá gosta de ruibarbo e enfia nos doces, fazer o quê. Se você falar mal corre o risco de ser taxado de preconceituoso e ignorante.

Se jogue nos chocolates,  que são maravilhosos e baratinhos, vale a pena comprar de dúzia. Se sobrar traga de souvenir prosamigo.

Então acaba o dia, você já fez um piquenique bacana com seu baguete recheado com Brie ou com a saladinha de frango, sentado na beira do Sena ou num banquinho do Jardin des Tuileries, e vai dando uma fome de algo quente. Você não quer gastar no restaurante nem apelar pro Crèpe de Nutella de novo, o que você faz? Corre pro

picardPICARD – Se tem uma loja que cabe no coração é esta rede de congelados. Por umas merrecas de euros  você compra um jantarzinho de microondas muito digno e honesto. Tem por todo canto, você sabe que é bom porque os franceses enjoados também comem, e é bom mesmo. As porções individuais vão desde sushi (esse não provei) a comida indiana e pratos tradicionais franceses. Se você está em um pequeno bando eles tem porções família que ficam ainda mais em conta. O único porém é que você precisa um microondas à disposição, né. Vale pra quem aluga um apê ou fica em casa de família, como  moá. Esse aí ao lado é um salmão com purê de batata por €3,75, uma ótima opção pro seu jantar (apenas jantar, pufavô, voltar pra casa no meio do dia pra esquentar comida é algo impensável).

Fique atento que os supermercados de Paris não dão sacolas. Tive que carregar uma caixinha da Picard na mão por duas quadras e meus dedos caíram. Acabei comprando uma sacolinha retornável daquelas gigantes, que dobradas ficam do tamanho do seu celular e você esconde na bolsa, ela me salvou e hoje é uma grande aliada nessa São Paulo que também não distribui sacolinhas. Então compre uma por aqui mesmo se não quiser sair do mercado equilibrando a caixa de sucrilhos e  o leite na cabeça, e o pão embaixo do suvaco. Se bem que pra esse último ninguém nem vai dar bola.

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Esse ninho de rato chamado cabelo

se nada der certo, finja que é proposital e faça a diva

A França é um lugar cheio de paradoxos. Tem os melhores perfumes do mundo e um povo com fama de fedido. Fala a língua mais afrescalhada mas tem os relatos pavorosos de guerras sangrentas movidas por um povo meio sádico.  Eu estava na terra dos melhores cosméticos e nunca na história desse planeta meu cabelo se comportou tão mal.

TUDO CULPA DA ÁGUA 

Sim, trabalhamos com distribuição de culpa. O que se passa é que a água lá dazoropa é bem diferente da nossa aguinha da torneira do Brasil. É uma água “dura”, cheia de calcário e outros minerais, dá pra beber sem medo mas se acumula nos fios e transforma sua cabeça em um belo ninho de rato. Além de deixar sua pele seca e repuxando, um luxo.

Portanto, quando você vê um francês de cabelo feio, mais feio ainda é sair julgando a falta de banho do cidadão. Pode ser só o depósito de calcário que ele carrega pelos caminhos da vida.

Com meu espírito detetivona, encontrei várias opções pra que você, viajante descolado e glamouroso, não passe pelos mesmos perrengues:

1 – Resolva o problema da habitação dos pássaros – Pelo menos enquanto você estiver zanzando por lá eles terão um ninho pra chamar de seu.

2 – O bombril na cabeça você já tem, pode se alugar como antena e fazer uns trocos pra pagar suas comprinhas.

3 –  Arranje um emprego de espantalho nos vinhedos da França.

“amiga, que lindo ficou esse tom de loiro em você!” “magina, o seu que é lindo”

Mas não priemos cânico, existe solução! Se chama QUELAMENTO, que nada mais é do que uma desintoxicação dos minerais depositados no cabelo. Antes que você jogue seu computador pro alto e chore sentado no cantinho, calma que é fácil. A Alexia do ArtdeViv já escreveu um post ótimo sobre o assunto. Além das dicas sobre como tirar todos os minerais acumulados do seu ser (só não tira as mágoas), tem outras boas sobre os produtos que vão funcionar quando você voltar pro Brasil.

É muito importante ficar atento a isso, senão você acaba gastando em produtos que só vão ter efeito naquelas condições de clima e de água.

Obviamente só descobri esse post na volta, gastei uma pequena fortuna em shampoos e cremes e voltei pra casa com cabelo ruim e pele seca. Mas cheia de cosmético que funcionaram aqui, ha! Apesar de não encontrar meus cremes da La Roche Posay pelas farmácias (alguns são muito leves pro clima europeu, só existem na versão exportação), minha pele é mais seca e os cremes que eu trouxe fizeram maravilhas aqui nesse Brasil de creminhos leves. Shampoos idem. Mas já acabou tudo e não pretendo vender o corpo pra comprá-los com barras de ouro por aqui. Tô aceitando sugestões.

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Galinhada na Nuit Blanche

Um dos pontos negativos de quando a gente viaja sozinha é que tem horas que você precisa alguém ali do lado nem que seja pra comentar “mas que bela bosta, hein?”.  Mas acaba tendo que encarar o fato de que vai sim fazer muitos programas só com você mesma. Mas alguns deles não fazem o menor sentido, no estilo jogar futebol com a parede ou brincar de gangorra sozinho. Portanto, na primeira semana o sábado ia se aproximando e eu ia ficando ansiosa, pois queria muito ir na Nuit Blanche, a Virada Cultural parisiense. Minhas opções de companhia seriam o pessoal que conhecia na escola, mas eles se dividiam nas categorias “não pode”, “não tá a fim” ou “nem-a-pau-juvenal-que-eu-chamo-esse-mala”. Então, quando chegou o fim de semana eu já tinha desencanado porque não tava a fim de virar a noite sozinha, na rua, em num país estranho e sem falar a língua direito, e tava contando pra mim mesma que “nem ia ser tão legal assim, nem queria ir mesmo, mimimimimi”. Continuar lendo

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Aprendendo francês (ou inglês, alemão, japonês) sem gastar nenhum tostão

Como sou muito mão de vaca consciente, testei todas as formas imagináveis de aprender francês de graça antes de sair do Brasil, pra não chegar lá tão basicona nem deixar as calças numa Aliança Francesa da vida.  Uma das formas mais legais é a que te conecta com franceses de verdade (ui), que por alguma razão obscura querem aprender português. A forma de encontrá-los é através do site Conversation Exchange. Foi através dele que eu conheci um francês chamado Zizou e me senti com dois anos de idade. Continuar lendo

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Melancolia pra embalar a alma

Já que ainda não sinto as pernas depois de rodar horas na Virada Cultural de São Paulo ontem (e nem consegui cheirar a galinhada do Alex Atala), entrei no clima e estou aqui preparando um post sobre a virada cultural francesa, a Nuit Blanche.

Nisso lembrei de um trio fofíssimo que conheci naquela noite: Vague à L’âme (Melancolia, ou literalmente “uma onda na alma”). Então, enquanto o post não fica pronto vocês  terminam o domingo ouvindo essas música fofa.

Vague a L’âme – Ombres

 

Veja também

La Valse d’Amelie 

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A cidade dos mortos

“Pare! Você está prestes a entrar no Império da Morte” – essa é a inscrição que tá lá na porta, não me julguem.

Se a população viva de Paris é de aproximadamente 2 milhões e meio de pessoas, a morta deixou a viva no chinelo: entre 6 e 7 milhões de ossadas estão nas Catacumbas de Paris, bem ali debaixo dos seus pés. Visitar as  catacumbas tem um quê de sombrio e assustador, mas é muito legal. Desde que você não seja altamente impressionável e fique aterrorizado com crânios e outros bilhões de ossos expostos. Ou tenha medo de fantasma. Continuar lendo

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