A ESCOLA: Uma das coisas na vida que escolhi bem.

Rua da escola, em uma região bem comercial e pouco turística

A L’atelier 9 tem apenas quatro níveis, 6 a 8 alunos em média por turma. No primeiro dia de cada ciclo mensal todo mundo vai pro salão principal se apresentar e conhecer os novos alunos (quem está a mais tempo deve estar mega enjoado disso). Quando cheguei eu era a ÚNICA pessoa da América Latina! Coisas assim me deixam muito feliz (mas claro que minha alegria durou pouco, e na segunda semana entrou uma equatoriana).

Europeus, japoneses, canadenses, marroquinos, uma chinesa, australianos e americanos compõem o lugar. Senti falta de árabes, nos EUA eu tinha várias colegas que iam pra aula vestindo o Hijab.

Essa é a fachada do prédio, a escola fica no primeiro andar. As três janelas em cima da porta são da minha sala.

Além das aulas da manhã a escola oferece vários workshops a tarde, e além de fazer coisas como aula de teatro (não basta pagar mico em português), acabei conhecendo a escola inteira, com exceção de alguns alunos do nível TOP que são tesouro e não se misturam com a gentalha dos níveis inferiores que ainda precisa se comunicar em inglês.

Eu comecei no A1 (nivel ZERRÔ, não fala nada, ingorante até o talo), mas antes do intervalo já tinha sido promovida pro A2 (rufem os tambores!). Traduzindo, enquanto o A1 era muito fácil, no A2 eu fiquei meio perdida. Socorro! Descobri que entendo francês bem , mas minha conjugação é de doer. E ainda ganho bronca porque tento falar as frases rápido e isso ferra totalmente a pronúncia (nossa, que surpresa, eu falando rápido). De acordo com a professora, todo aluno que fala português, espanhol ou italiano padece do mesmo mal. Acho que ela fala isso pra me consolar, na verdade.

As aulas são puxadas e tenho TONELADAS de gramática para estudar diariamente. Doce ilusão de que seria mais conversação, isso só acontece nos níveis acima do meu, o B1 e o B2. Por enquanto conversação é só metade do tempo da aula.

Amanhã tenho que fazer uma apresentação em sala sobre alguma coisa típica do meu país, fui trouxa e escolhi fazer sobre o Rio de Janeiro, e só depois me dei conta de que nenhuma preparação será suficiente, já que o assunto é amplo demais e vai gerar perguntas sobre os mais diversos temas (ai).

As duas horas que passei com o nível basicão (A1) foi o suficiente pra virarmos amigos-para-sempre-estou-chorando-de-emoção, o que não aconteceu em duas semanas com a minha turma A2. Mas como toda semana entra e sai gente, a galera que entrou semana passada deu uma revigorada na turma.

Sente o charme da entrada! À esquerda o micro elevador.

Prédios fofoletes, alguns com flores nas sacadas

A escola fica num antigo apartamento de um prédio Haussmaniano, no centro de Paris. Haussmann foi o arquiteto que sob ordens de Napoleão, entre 1853 e 1870 refez o traçado das ruas da cidade, demolindo entre outras coisas 17 igrejas. Seu trabalho transformou a Paris medieval, cheia de ruelas estreitas e prédios apertados e úmidos na Paris atual, com seu desenho de calçadas amplas e largas avenidas.  Além disso, ele determinou como seriam as fachadas dos prédios, suas sacadas, enfeites e ângulos de 45 graus, e por conta disso a uniformização que deixa a cidade tão charmosa com os milhares de prédios como os da foto ao lado não é obra do acaso.

Aqui o velho é REALMENTE velho, e o pessoal acha bacana e charmoso manter assim, então é tudo meio caindo aos pedaços.  As plantas desses apartamentos antigos também não fazem o menor sentido. Enquanto o lavado fica numa área interna do apartamento, o “salle des bains” fica bem na entrada principal, e pra chegar em dois dos quartos precisa atravessar um outro. As fotos abaixo são do salão principal, atualmente minha sala de aula.

                                                          

Salinha da chegada, do café, das canecas

O clima da escola é absolutamente informal, e o jeitão lembra um pouco o centro acadêmico da UFPR da época em que eu fazia faculdade: tudo velhão, tem café e chá à vontade mas cada um lava sua caneca; o banheiro, todo mundo usa o que está desocupado, ignorando as plaquinhas macho-fêmea da porta. Se está chovendo muito,a gente compra comida e almoça por lá, caso contrário o programa é piquenique no parque antes de sair pra explorar a cidade. Sim, somos muito franceses e almoçamos baguete e queijo no banco da praça.

Os meus amigos mais chegados (não estão na foto abaixo, com exceção da alemã) aqui são compostos por: japonesa, polonesa, australiana, americano, inglês, alemã, canadense-indiana e holandesa-marroquina. Metade do nível basicão, metade mais avançados.

Minha turma A2 na segunda semana de aula. Se virem aí e descubram quem veio de onde.

Como normalmente a gente fica amigo daqueles que se parecem conosco, nenhum deles é exatamente uma flor que se cheire. A gente só se trata por estereótipos e sacaneia uns aos outros o tempo todo. É exatamente o convívio com essa variedade imensa de backgrounds culturais que traz aquele entendimento tão necessário de que a sua visão de mundo não é a melhor só porque é a sua. E que muita coisa, inclusive hábitos higiênicos, são relativos. Mas da polêmica do banho eu falo outra hora.

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Categorias: Aprendendo Francês, Informações práticas | Tags: , , , , | 7 Comentários

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7 opiniões sobre “A ESCOLA: Uma das coisas na vida que escolhi bem.

  1. Mara

    Bonjour, Lizzie ! Parabéns pelo seu blog! É um dos melhores que já li até hoje. Estava aqui cascavilhando informações sobre intercâmbio em Paris, e tive a feliz felicidade de encontrá-lo. Adorei o linguajar e o bom humor com os quais você descreve os acontecimentos. Au revoir! À la prochaine.

    • Bonjour Mara, Merci! Que bom que você gostou! Acabou que o tempo passou e muita coisa ficou de fora, mas se tiver alguma coisa em que eu puder ajudar ficarei muito feliz, pode me procurar, ok

      beijinhos

  2. Rafael Guerra

    Bonjour Luzzie!

    Gostaria de saber o nome da escola que você estudou ? Site ou e-mail ?
    Estou planejando ir no ano que vem, pretendo fica em casa de família, como você conseguiu arrumar foi pela escola ? estou fazendo essa pegunta porque fico com medo de cair em golpe pela internet ( fazer deposito)
    Pela sua experiência de vida creio que seu blog será muito útil para todos leitores.

    desde já agradeço pela vossa atenção.

    Rafael Guerra
    rafael-guerra25@hotmail.com

    • Oi Rafael, tudo bem? A escola se chama L’atelier 9 http://www.latelier9.com. Eu arrumei onde ficar pela escola mesmo, pedi que fosse perto da escola ou perto de metrô. De qualquer forma, o padrão é você pagar a estadia total assim que chega na casa, e não fazer depósito antecipado. Se tiver mais alguma dúvida que eu possa ajudar, escreve ai! Abraços

  3. Olá, estava ansiosa por novidade, até te infernizei lá no twitter para você postar hahahaa

    Ri muito aqui!!! O meu problema com malas na minha viagem à Paris, foi aqui no Brasil mesmo, porque lá eu tive translado (chic!), mas como moro no interior ninguem foi me buscar em Cumbica (quem mandou querer viajar sozinha e trazer Paris dentro das malas ahahah) tava com um mochilão, 1 de rodinha e inventei de levar vazia dentro da mala de rodinhas uma malona com alças pra trazer cheia O_o nossa, sério achei que minha coluna ia trincar em 4 partes e que ia quebrar meu braço, cheguei em casa cheia de hematomas no braço kkkkk e falei pra minha mãe que tinha apanhado em Paris kkkkkk não me arrependo os hematomas sararam e as quinquilharias ficaram até hoje.

    Beijos ! Parabéns

    ah eu tenho uma blog que tá no comecinho(zinho) hihi
    quando puder dê uma passada lá também.
    http://assimfoiparis.blogspot.com.br/

    • E eu que tinha certeza que não ia comprar quase nada em Paris? Absolutamente não me preparei pra isso, jurava que tudo ia caber na mala que eu levei com folga! hahahaha! Mas meu caso de surto foi sério, eu trouxe até açúcar em cubinhos (só me dei conta que vende aqui depois que cheguei, abafa).

  4. volta logo, saudade

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