A Recoleta é o bairro phyno das madames, dos passeadores de cachorros e do cocô de cachorro na calçada, o que complica um pouco a vida dos turistas que não podem olhar a paisagem andando, só parados. Mas é um bairro bonito e tradicionalíssimo na linha do tem-que-ir, já que é cheio de coisas interessantes. Fizemos o roteiro debutante, que inclui obrigatoriamente:
Livraria El Ateneo
Certeza que você já ouviu falar, todo mundo tem que ir nessa livraria linda que fica num antigo teatro (como o casal muy, muy simpático da foto ao lado). Como era esperado, fomos e ficamos embasbacados, tomamos um café (caro) fuçando os livros, ainda embasbacados, mas não levamos tudo o que queríamos porque não somos retardados. Os preços não são dos melhores, então se você é rato de livraria como eu, do nível que a mãe dava dinheiro pra roupas e você comprava livros, como eu, controle-se. Minha estratégia foi fuçar o que eu queria, guardar preços e fuçar outras livrarias menos badaladas. Se não encontrasse, voltaria lá. Não precisei voltar, ha!
nível da idade mental
Os preços variam demais de um lugar pra outro, vale a pena pesquisar bastante. O livro que estava 270 pesos lá eu consegui por 199 numa banquinha (Toda Mafalda, ainda não amadureci o suficiente, me deixem).
Se você gosta de cinema argentino, há bastante variedade de devedês, mas a filial da Calle Florida ainda tinha bem mais títulos, apesar de ser menos charmosa. Só um dos filmes da lista não encontrávamos de jeito nenhum e tivemos que fuçar vários becos até encontrar (se você estiver à procura de Nove Rainhas, ou Nueve Reinas, do glorioso Ricardo Darín, me pergunte e eu te vendo a localização de onde comprar). Saindo de lá e andando algumas quadras você chega no…
Cemitério da Recoleta
O mais famoso condomínio de pés juntos da cidade, residência final dos portenhos ricos e famosos, vários ex presidentes e outros ilustres habitantes menos conhecidos.
O túmulo da Evita é facim facim achar, é o único com multidões. O fascínio que esta senhora ainda desperta naquele povo é algo que nem a ficção científica previu. Ela está enterrada no terceiro subsolo, e o túmulo é protegido contra bombas (ai). Mas isso é fichinha perto da história surreal que certou sua morte:
1 – foi embalsamada, com a intenção de que ficasse sempre perto dos seus descamisados;
2 – o monumento planejado para guardar seu corpitcho (não construído graças a algum surto de sensatez, talvez) tinha o tamanho de TRÊS Cristos Redentores;
3 – o corpo desapareceu durante um dos muitos golpes, e ficou sumido por 3 anos.
4 – durante esse tempo, supostamente só dois soldados sabiam do paradeiro em Buenos Aires, e um deles resolveu abusar sexualmente da Evita cadáver(mil vezes eca);
5 – o corpo reapareceu, mudou pra Milão, ficou lá 14 anos e finalmente o viúvo Perón o levou para sua casa, para viver com ele e a esposa atual, e o colocaram num balcão ao lado da mesa de jantar, pra enfeitar;
6 – finalmente deram um destino decente pro corpo e foi transferido pro túmulo que sua família construiu com o dim dim que Perón mandou.
A gente sabe que cada cultura encara a morte de formas diferentes e tal, mas nada no mundo me preparou pro TERROR que Recoleta causou em mim. E olha que eu não tenho medo de cemitério, tô nem aí com as seis milhões de caveiras das catacumbas de Paris, mas A-PA-VO-REI. E a razão são esses bonitos caixões aparecendo nos mausoléus, pelo cemitério inteiro.
Falando em cadeira, a estátua com a história mais bacana tem um sujeito sentado em uma, essa aí ao lado. Resumindo, o figura era importante na cidade e quando morreu a mulher mandou construir uma estátua em cima da tumba, mas com ele sentado olhando na direção oposta de onde ela seria um dia enterrada, pra se vingar do maridão que um belo dia resolveu mandar uma carta circular pela cidade avisando que não se responsabilizava por nenhuma das dívidas da mulher. Um casal meigo.
Para ouvir mais histórias macabras HOHOHO se informe sobre os horários das visitas guiadas, tem em inglês, espanhol e até italiano.
Hora de ver gente viva
Saindo do cemitério e pegando a esquerda, logo ao lado há a Basílica del Pilar, uma igreja como tantas outras, segunda mais velha do país, não vale mais de 5 minutos de visita. Na frente fica uma praça enorme, com feirinhas de artesanato e shows aos finais de semana. Logo ali fica o Centro Cultural Recoleta, mas acho que tinha alguma bomba lá dentro no dia, já que a polícia mandou a gente dar meia volta. Mais uns passos e fica a casa do Design, mas essa ficou pra próxima.
Atravesse a Plaza Francia na direção oposta ao cemitério e vai dar de cara com uma figueira gigante, e um restaurante bacana em frente que era um ponto de aficionados por automobilismo, o La Biela. Entre pra ver as fotos, o ambiente é muito legal. A comida eu não tenho a menor ideia.
Vi essa cabine telefônica e achei que estava em Londres, porém era só Buenos Aires. Atrás o La Biela.
A melhor rua pra ver o comércio local é a ALVEAR, obviamente confundimos e pegamos uma paralela que não tem nada pra comprar, só uns casacos de couro de 6 mil reais que a vendedora estava animadíssima pra me mostrar (tenho com cara de rica desde quando?).
Gente desse Braze-el, esse post ficará sem final porque voltei a trabalhar, o trabalho enobrece o homem mas acaba com a pessoa, e hoje ainda perdi um casaquinho querido no caminho, ô forma de começar bem o segundo dia de trabalho. Num tô conseguindo pensar muito pra finalizar, não. Mas fiquem ligadinhos, logo eu reacostumo com essa vida de trabalhadora e volto a usar o célebro cérbero cerbelo cabeça.