surtando em francês

A livraria mais legal de Paris

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Poucos cheiros são mais gostoso que cheiro do que livro. Aprendi isso cedo, enfiada na Biblioteca Municipal no centro de Curitiba, quando passava a tarde fuçando prateleiras e confraternizando com as traças ocasionais. Quanto mais marca de dedo, anotações e orelhas um livro tem, mais fantásticas são as suas histórias. Livro usado tem alma.

Celine e Jesse, discutindo a 3 filmes

Desde que eu assisti a “Antes do Anoitecer”, coloquei na minha lista de desejos conhecer aquela livraria onde o Jesse (10 anos mais velho que no primeiro filme da trilogia), faz uma sessão de autógrafos do seu livro e a Celine aparece do nada pra jogar na cara do destino que ele errou feio na vida dos dois. Era a Shakespeare & Company.

Tudo organizadinho e fácil de achar

Coerente com o nome, ela é especializada em literatura inglesa, mas não foi fundada por Shakespeare, veja só. Está no terceiro endereço desde que foi aberta em 1919 por uma americana chamada Sylvia Beach. Ela fechou a livraria indefinidamente durante a Segunda Guerra. Outro americano, George Whitman, a reabriu no endereço logo que a guerra acabou. Hoje ele está velhinho e mora em um apartamento em cima da livraria. A filha dele se chama Sylvia em homenagem à primeira proprietária.

Fica no Quartier Latin, o bairro dos intelectuais, da Sorbonne, com vista pra Notre Dame e uma pracinha na frente onde rolam palestras, conversas com escritores, sessão de autógrafos, sempre tem um evento por lá.

Logo depois que você entra nesse antigo convento transformado em livraria, há um poço dos desejos no chão. Na verdade é um buraco cheio de moedinhas dentro, tá mais pra um poço seco.

O andar de baixo tem os livros novos (e caros, não vale a pena comprar lá), mas é quando você chega lá no fundo que a mágica começa.

Uma escadinha estreita de degraus gastos e muitos, muitos livros cobrindo as laterais te leva ao andar de cima, que mais parece uma viagem no tempo.

Bom pra curar rinite

Numa das salas, livros infantis, uma caminha com dossel e milhares de bilhetinhos pregados na parede agradecendo a hospitalidade do lugar. É isso mesmo, desde o início o lugar abriga escritores famintos em troca de  algumas horas de trabalho.

Lençóis certamente comprados antes da guerra

A tradição ainda perdura, e quem quer se sentir um pouco Hemingway ainda pode fazer esse acordo com os proprietários. Muita gente dorme lá algumas noites e paga varrendo o chão ou arrumando estantes. E a fila pra dormir nas caminhas surradas é grande.

Continue explorando e você encontra mais salas, mais camas com lencóis puídos, um piano, e um escritório que nada mais é do que uma caixa de madeira onde cabe você, uma mesinha e uma máquina de escrever. Sentado, não tem como ficar em pé não. Tem papel , e você pode usar a máquina de escrever se quiser. Pode tocar piano também se der vontade. Definitivamente é um lugar feito pra se perder, pra entrar e não querer mais sair.

Banco pra quê? Senta nos livros!

Espaços minúsculos arrancam a criatividade de dentro de você, ouvi dizer

A Shakespeare and Co fica na Rua de Bucherie, 37. Como já comentei, não é a livraria mais em conta da cidade, mas certamente é a mais legal.

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