Cultura

Versalhes – Vale a pena a visita?

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Sendo eu uma estudante responsável que não mata aula, fui conhecer Versalhes no meu último domingo em Paris. Fui até Notre Dame pra  pegar o trem com meus amigos britânicos. De Velib, ganhei de brinde uma dor de garganta sensacional por pedalar no frio. São mais ou menos 30 km num RER, os trens bacanas de 2 andares.

Chegamos umas 9:30, e fomos comprar os tickets. Eu tenho um lado muito infantil que me faz sair correndo (mas disfarçando) na frente de todo mundo quando estou saindo do trem ou metrô. Quando não ganho essa competição imaginária eu fico meio frustrada.  Mas neste caso foi a diferença pra não pegar 1km de fila que se formou assim que saímos do quisque com os ingressos na mão.

Com o sol lindão dando as caras resolvemos visitar os jardins antes. Os jardins são minha parte preferida, portanto merecem um post só pra eles. 

Quando a data da viagem estava chegando, eu ouvia muitas dicas de todos os lados, e a principal era “não perca Versalhes!”. Foi o ponto alto da viagem de muita gente, e me sinto um pouco ingrata já que não achei tuuudo isso.

O que sei é que se você não visitar, fica aleijado de uma parte importante da história da França. Então fica combinado assim, se você tem poucos dias em Paris, deixe pra próxima, a cidade já vai te ocupar completamente. Se você vai passar mais de uma semana, reserve um dia e vá visitar, neste caso vale muito a pena.

Vamos fazer justiça, é bonito. E grande, e dourado, e tudo isso num mega superlativo. Mas tão superlativo que dá pra entender porque o povo se revoltou e achou que pra lavar a alma só a guilhotina resolvia.

Um cadinho de História

Um dia o rei acordou inspirado e mandou construir um palácio longe de toda a gentalha, já que tava cansado daquele monte de pobre cercando o Louvre, que já andava meio caidão. Entupiu o novo palácio de luxo por todos os lados e o povão ficou um tempão sem saber o que rolava por lá.  Quando o caldo começou a entornar ele achou que estava seguro. Só que não adiantou. O povo não gostou da sugestão de comer brioches, cabeças rolaram e Versalhes se tornou patrimônio do povo da França. Pode escrever isso na sua redação do ENEM.

Por obra de algum iluminado, apesar do ódio popular o palácio foi conservado, assim como muitas das obras de arte. Pena que a mobília não teve a mesma sorte, a maioria esmagadora das peças foi vendida ou roubada.

Mas vamos à visita:

Se antes de ir à Versalhes você visitou o Louvre, vai ficar com a sensação de que, com exceção do Salão dos Espelhos, ele é um déjavú sem fim de salas, todas meio iguais à anterior. Lindas.

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Lindo na foto 

Mas na verdade ninguém nunca enxergou o chão

   Mas na verdade ninguém nunca enxergou o chão

 

Os quartos do rei e da rainha são uns dos poucos ambientes que tentaram mobiliar com o que restou, mas você sente que tá faltando alguma coisa. A decoração é meio espartana.

Quadros, muitos quadros. Nas paredes, no teto no chão. Lindos, mas você precisa paciência pra ver no meio da multidão insana que tira selfies EM-TODOS-OS-CANTOS. Não perca o quadro da coroação de Napoleão que ocupa uma parede inteirinha e dói de tão lindo.

Preste atenção também às estátuas que estão no térreo, elas estavam originalmente no jardim e foram substituídas por cópias pra preservar as originais. Todas lindas.

Duração: Reserve um dia inteiro, além de ser fora de Paris e ter que pegar o trem, você anda e anda e anda.

Quando ir: Indo num dia de semana, vai estar bem menos lotado. A única diferença é que não vai tocar música clássica no jardim, mas acho que dá pra sobreviver sem ela. A regra geral para finais de semana é ir em qualquer lugar  “menos turístico” (sim, eles existem).

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A caminha do rei tem pompons nas pontas

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a cama da rainha saiu direto de um conto de fadas

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Capela

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comprando tickets: O guichê fica logo depois da saída da estação do trem. Você pode comprar com antecedência, mas acredito que só vale a pena se o ingresso não tiver dia marcado. Vai que cai um toró? Você acaba perdendo os jardins, melhor parte.

Chegando: Paciência,tem fila. Muita fila, mesmo se você tiver comprado seus ingressos antes, na FNAC. Melhor começar ao contrário da maioria, vá primeiro conhecer os jardins e só a tarde visite o castelo. Fiz isso e foi bem melhor.

Comida: Vá com um plano, já que você vai ficar o dia inteiro. Tem um restaurante na entrada, perto do guarda volumes, que lembro que custava em torno de 30 Euros por pessoa. Se você seguir a dica de ver os jardins antes, lá no final tem um parque com lanchonetes, e você pode fazer um piquenique à beira do lago. Foi o que fizemos. Voltar para o centrinho da cidade é uma caminhada e tanto, você vai acabar tomando o trem e voltando pra Paris mais cedo.

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Coroação de Napoleão – pessoas em tamanho real para escala

Audio guides: Me arrependi de não ter gasto 5 Euros neles, não teria passado por um monte de salas meio iguais sem saber o que elas significam. Tem os guias humanos,  mas pagar um tour só vale a pena se você entender bem inglês ou francês, pois é muita gente em volta, e o barulho do ambiente somado à acústica ruim fazem você ouvir muito pouco. Eu dava umas migueladas quando um grupo parava por perto, mas é bem difícil entender a não ser que você ande abraçado ao guia.

Você pode baixar seu próprio podcast na internê e ir com seu áudio guide particular no seu Iphone. Aqui neste site tem vários, de muitos lugares.

 

http://www.ricksteves.com/news/travelnews/0602/france_downloads.htm

Banheiros: Outra constatação infantil: Versalhes foi construída sem banheiros HOHOHO.

Au Revoir Versalhes!

Au Revoir Versalhes!

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Yaël Naïm em São Paulo CORRÃO

Ela nasceu em Paris e aos 4 anos mudou com a família para Israel, se apaixonou por música ainda criancinha e hoje é uma linda com uma voz incrível e músicas adoráveis que apaixonam qualquer um, e ela estará aqui em São Paulo agora em Maio!

A Yaël está vindo divulgar o novo álbum SHE WAS A BOY, o show lindo que eu assisti em uma cidadezinha vizinha a Paris chamada Noisy-le-Grand. Diferente do primeiro CD que tinha várias músicas em hebraico, esse é inteirinho cantado em inglês.  No show ela contou que ainda se embanana pra cantar em francês, fofa. Ela toca, canta, pula, brinca com os instrumentos, faz uma mistura do inusitado com o encantamento, dá vontade de invadir o palco pra dar um abraço nela.

A música mais conhecida é a NEW SOUL, que foi usada no comercial do MacBook Air nos EUA.

Já a minha preferida do novo álbum é essa aqui, Come Home. Pelos clips você sente a figuraça.

Estou vivendo uma séria crise de falta de companhia pra ir a esse show, marido viajando é uó, os amigos que eu chamei até agora não podem, tô quase comprando o ticket e indo sozinha mesmo (again).  Então quem estiver indo me avisa, promete?

São duas datas:

Yaël Naïm

30 de maio no Bourbon Street
R$90

31 de maio no teatro do Sesc Pompéia
De R$8 a R$32

Aqui segue uma resenha bacana pra você conhecê-la melhor

A moça também tem site, vai lá ver.

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Galinhada na Nuit Blanche

Um dos pontos negativos de quando a gente viaja sozinha é que tem horas que você precisa alguém ali do lado nem que seja pra comentar “mas que bela bosta, hein?”.  Mas acaba tendo que encarar o fato de que vai sim fazer muitos programas só com você mesma. Mas alguns deles não fazem o menor sentido, no estilo jogar futebol com a parede ou brincar de gangorra sozinho. Portanto, na primeira semana o sábado ia se aproximando e eu ia ficando ansiosa, pois queria muito ir na Nuit Blanche, a Virada Cultural parisiense. Minhas opções de companhia seriam o pessoal que conhecia na escola, mas eles se dividiam nas categorias “não pode”, “não tá a fim” ou “nem-a-pau-juvenal-que-eu-chamo-esse-mala”. Então, quando chegou o fim de semana eu já tinha desencanado porque não tava a fim de virar a noite sozinha, na rua, em num país estranho e sem falar a língua direito, e tava contando pra mim mesma que “nem ia ser tão legal assim, nem queria ir mesmo, mimimimimi”. Continuar lendo

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Melancolia pra embalar a alma

Já que ainda não sinto as pernas depois de rodar horas na Virada Cultural de São Paulo ontem (e nem consegui cheirar a galinhada do Alex Atala), entrei no clima e estou aqui preparando um post sobre a virada cultural francesa, a Nuit Blanche.

Nisso lembrei de um trio fofíssimo que conheci naquela noite: Vague à L’âme (Melancolia, ou literalmente “uma onda na alma”). Então, enquanto o post não fica pronto vocês  terminam o domingo ouvindo essas música fofa.

Vague a L’âme – Ombres

 

Veja também

La Valse d’Amelie 

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Yaël Naïm

Quando eu marquei a data da viagem uma das primeiras coisas que fiz foi checar o calendário da Yael Naïm pra ver se daria sorte de ela estar se apresentando em algum lugar perto daqui. Desde que um amigo com muito bom gosto musical apresentou-me, virei fãzona.

Complicações de sempre, o show não foi em Paris, mas numa cidade a 14 km chamada Noisy-le-Grand. A parte boa é que a estação de trem ficava perto do teatro, a parte ruim é que era tudo o que eu sabia sobre a cidade.  Se era uma periferia ruim, perigosa, com risco de morte, eu não tinha a menor ideia. Mas eu que não seria louca de perder a chance.

Programei para chegar lá bem cedo, durante o dia, pra ver bem o caminho e não ter perigo de sei lá, me perder. Mas Noisy-le-Grand é uma subúrbio residencial pequeno e fofinho, e foram esses lugares que eu atravessei até chegar ao teatro:

     

Achei que a platéia seria composta de um público bem alternativo, e acabou sendo alternativo até pra minha expectativa: como tinha crianças! Ao meu lado sentaram dois meninos que foram com o pai. Eu já tava achando que tinha errado de teatro e que lá rolaria algum Cocoricó francês, mas é isso, na França Yael também é programa infantil.

Ir a este show foi mais uma vez a constatação que esse país esbanja cultura, o teatro era desproporcionalmente maior que o tamanho da cidade, e a programação é excelente. Talvez não seja nada anormal aqui, mas é impossível  um brasileiro não notar.

Se ouvir o CD e assistir seus clips já é uma atividade deliciosa, assisti-la ao vivo consegue ser ainda melhor. Ela toca piano, toca violão, dança, brinca com a platéia, volta pro piano e deixa todo mundo sem fôlego com o talento que tem.

Eu tentei filmar alguma coisa do show, mas como era proibido e sempre tinha algum fiscal por perto, tive que disfarçar a câmera. Portanto perdoem a filmagem que ficou uma droga. O que vocês veriam é Yael e a banda (+3) sentados em micro banquinhos, e David Donatien tocando em um piano de brinquedo. Ouçam aí:

No final consegui filmar um pouco melhor, pois já era a segunda volta dela ao palco e já tinha perdido o medo de me jogarem pra fora do teatro. Mas o vídeo vai pra um futuro post.

A tietagem acabou aí, pois o mais próximo que eu consegui de tirar uma foto com ela foi isso aí abaixo.

O caminho da volta foi BEM escuro, e em alguns lugares eu passei quase dentro dos quintais das casas, como aqui:

Mas voltei sã e salva, ninguém me atacou, levou minha bolsa ou minha dignidade embora. E eu risquei mais um item da minha lista.

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La valse d’Amelie

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