Mão de vaca

Comendo bem e barato

A melhor parte da comida de Paris é que lá nada engorda. NA-DA. Você pode comer o dia inteiro e no final do mês o saldo na balança será negativo. Isso é possível porque VOCÊ VAI CAMINHAR FEITO UM PESTIADO CONDENADO À MORTE.

Isto posto, vamos a um guia prático de como comer bem e barato sem precisar assaltar o sopão dos mindingo. Exatamente, aqui não é um guia dos restaurantes chiques, para isso recomendo que você procure o blog de uma dessas pessoas phynas e rycahs que vão pra lá comer nos estrelados do Guia Michelin.

Aqui você encontra alternativas até saudáveis, bem gostosas e bem baratas para situações hipotéticas mas muito realistas, como bater aquela fome desgraçada no meio do dia mas você achar abuso deixar pelo menos 15 euros num restaurantezinho meia boca pra turista. Então você corre pro:

ói que fófis, fui procurar uma foto e achei esse em que por acaso comprei coisas no dia da visita do Museu Carnavalet

LE MARCHÈ – O supermercado é seu melhor amigo, amigo. Tinha um Carrefour num shopping ao lado de casa, zoado que nem os daqui mas com algumas coisas bem legais que ou não se encontram nas terras de cá, ou quando existem são vendidos em barras de ouro que valem mais do que dinheiro. Mais pro centro vão sumindo os mercados maiores e pipocando os mercadinhos. As vezes eles são tão inhos que cabem no seu quarto e o caixa é o único funcionário (provavelmente proprietário), preso num quadradinho de 50cm² onde ele pesa as suas bananas, registra suas compras e fica ali vendo a vida passar.  Os inhos inhos se chamam épicerie, como esse aí ao lado. As frutas normalmente são lindas, compre muitas para uma temporada saúde.

Mercadinhos até vendem baguetes, mas deixe pra comprar o seu pão nas boulangeries (padarias, aula de francês di grátis), vai por mim. No mais compre tudo, enfie na bolsa e coma quando der fome. Nos nem tão inhozinhos você encontra sanduíches ou saladas prontas que já vem com garfinho.

Até quem não gosta de queijo muda de ideia numa Fromagerie

Gente, as saladas são muito boas, sério. Por €2  eu comprava uma salada de peito de frango com alface e cenoura, e molho no potinho pra misturar na hora. Super econômico e você almoça sentado no gramadão do parque, junto aos milhares de outros franceses que fazem isso sem constrangimento algum. Os mercados vendem os melhores queijos do mundo por um preço ridículo, e você passa o mês comendo queijo Brie com preço de mussarela.

Se por acaso você está procurando uma experiência assim mais GASTRONÔMICA com seus queijos, procure as fromageries. São de ficar maluco e você começa a considerar comer aquele mofo recheado de bolor. Não, eu não comi, tenho princípios e não como coisas vivas além dos lactobacilos do Yakult.

lindo mofo esperando para ser apreciado por pessoas sofisticadas

Já falei dos iogurtes? Socorro, são muito bons. É muita variedade, muito sabor diferente. A parte ruim é que você vicia em iogurte de cereja e nunca mais acha aqui, só muito de vez em quando que a Activia resolve ajudar você a ir ao banheiro com gosto de cereja.  Viciei mesmo foi no arroz doce de potinho, ai que pobreza. Tem creme brulée mas nem  tente, já que a casquinha de açúcar tem que ser feita na hora pra ficar durinha.  Mas coma um de verdade numa confeitaria, é muito bom.

Se ISSO vira iogurte, deviam fazer iogurte de alface também. Vou sugerir.

 O único  iogurte ruim que eu comi (bem feito pra mim) foi o de ruibarbo.  Mas olhando pra essa foto ao lado dá pra entender que se você decide comprar um iogurte feito de um VEGETAL não pode nem reclamar que o bicho é ruim. Comi os últimos 2 potinhos sem respirar, no dia de vir embora,  só pra não jogar fora. Mas o povo lá gosta de ruibarbo e enfia nos doces, fazer o quê. Se você falar mal corre o risco de ser taxado de preconceituoso e ignorante.

Se jogue nos chocolates,  que são maravilhosos e baratinhos, vale a pena comprar de dúzia. Se sobrar traga de souvenir prosamigo.

Então acaba o dia, você já fez um piquenique bacana com seu baguete recheado com Brie ou com a saladinha de frango, sentado na beira do Sena ou num banquinho do Jardin des Tuileries, e vai dando uma fome de algo quente. Você não quer gastar no restaurante nem apelar pro Crèpe de Nutella de novo, o que você faz? Corre pro

picardPICARD – Se tem uma loja que cabe no coração é esta rede de congelados. Por umas merrecas de euros  você compra um jantarzinho de microondas muito digno e honesto. Tem por todo canto, você sabe que é bom porque os franceses enjoados também comem, e é bom mesmo. As porções individuais vão desde sushi (esse não provei) a comida indiana e pratos tradicionais franceses. Se você está em um pequeno bando eles tem porções família que ficam ainda mais em conta. O único porém é que você precisa um microondas à disposição, né. Vale pra quem aluga um apê ou fica em casa de família, como  moá. Esse aí ao lado é um salmão com purê de batata por €3,75, uma ótima opção pro seu jantar (apenas jantar, pufavô, voltar pra casa no meio do dia pra esquentar comida é algo impensável).

Fique atento que os supermercados de Paris não dão sacolas. Tive que carregar uma caixinha da Picard na mão por duas quadras e meus dedos caíram. Acabei comprando uma sacolinha retornável daquelas gigantes, que dobradas ficam do tamanho do seu celular e você esconde na bolsa, ela me salvou e hoje é uma grande aliada nessa São Paulo que também não distribui sacolinhas. Então compre uma por aqui mesmo se não quiser sair do mercado equilibrando a caixa de sucrilhos e  o leite na cabeça, e o pão embaixo do suvaco. Se bem que pra esse último ninguém nem vai dar bola.

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Aprendendo francês (ou inglês, alemão, japonês) sem gastar nenhum tostão

Como sou muito mão de vaca consciente, testei todas as formas imagináveis de aprender francês de graça antes de sair do Brasil, pra não chegar lá tão basicona nem deixar as calças numa Aliança Francesa da vida.  Uma das formas mais legais é a que te conecta com franceses de verdade (ui), que por alguma razão obscura querem aprender português. A forma de encontrá-los é através do site Conversation Exchange. Foi através dele que eu conheci um francês chamado Zizou e me senti com dois anos de idade. Continuar lendo

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Sobrevivendo ao Louvre e a Torre Eiffel

Nasci velha, odeio fila e odeio multidão. Isso posto, sempre fico num dilema enorme se tenho um puta programa legal pela frente que envolve aglomerações e filas. Agora, se você é implicante como eu mas achou uma boa ideia se enfiar na cidade mais visitada do mundo, o problema é todinho seu.

Turista basicamente é um ser chato. Acha que o mundo inteiro está de férias como ele, se comporta como se estivesse visitando um zoológico de pessoas, tira fotos de qualquer caca de cachorro que encontra pelo chão e ama um programa de índio. Mas toda viagem tem a versão babaca, essa que você basicamente sofre e tira fotos do que mal viu, e a versão legal. De forma que eu me preparo pra sempre transformar meu potencial programa de índio  em um evento legal, e minimizar filas e multidões o máximo possível. Continuar lendo

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Chegando e saindo de Paris com dignidade

Nada no mundo se compara a chegar de viagem e ter alguém te esperando com aquele sorrisão no rosto e um carro grande pra por suas malas e te levar pra onde você tem que ir, né? Ou pelo menos aquele shuttle do seu hotel com o motorista solícito. Na falta de qualquer dessas opções a gente se vira como dá. Como tudo em euro é 3 vezes mais caro, vou sempre pelo mais barato: transporte público.

A regra é a mesma pra qualquer lugar que você não conhece: pesquise antes pra não passar por besta. Continuar lendo

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