Micos

Chegando e saindo de Paris com dignidade

Nada no mundo se compara a chegar de viagem e ter alguém te esperando com aquele sorrisão no rosto e um carro grande pra por suas malas e te levar pra onde você tem que ir, né? Ou pelo menos aquele shuttle do seu hotel com o motorista solícito. Na falta de qualquer dessas opções a gente se vira como dá. Como tudo em euro é 3 vezes mais caro, vou sempre pelo mais barato: transporte público.

A regra é a mesma pra qualquer lugar que você não conhece: pesquise antes pra não passar por besta. Continuar lendo

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Categorias: Informações práticas, Mão de vaca, Micos | Tags: | 11 Comentários

Dia a dia

Um legítimo banheiro/bilbioteca francês.

Um legítimo banheiro/bilbioteca francês.

Na família que está me hospedando ninguém fala nenhuma outra língua que não seja o francês. Se por um lado isso é bom pois me força a encontrar as palavras, por outro é meio frustrante, exatamente por ser tão difícil me comunicar nesses primeiros dias.  Madame Dany, o filho de 27 anos  e a namorada da mesma idade compõem a família. Gente tranquila e simpática, estão bem acostumados com estudantes estrangeiros já que daqui mal sai um chega outro.

A surpresa boa é que o prédio tem elevador. Se não tivesse, depois daquela chegada, era mais fácil voltar pro Brasil do que encarar 5 andares de escada.

Aprendi que antes de vir pra França é bom conhecer exatamente o que eles querem dizer com banheiro. O que eu tenho “privativo” (fica em frente a meu quarto, no corredor) é um quartinho com um vaso sanitário e uma estante de livros…sem pia.

É. A pia fica duas portas pra direita, no “sale de bains”, junto com o chuveiro. Divertido, né? Esse eu divido com todo mundo. Quer dizer, acho que divido, porque até agora não vi ninguém da casa tomar banho. Quase dá vergonha de entrar no chuveiro todo dia.

E que malabarismo tomar banho com chuveiro de mão, hein? Alguém tinha que ensinar esses franceses que pendurando na parede fica bem mais fácil.

A foto é ruim mas dá pra ter uma boa ideia

Terceiro dia  de aulas e já tenho toneladas pra estudar. Saí da escola e me enfiei numa biblioteca pra me divertir decorando mihões de conjugações de verbos. Como foi na Bibliotèque nationale de France, aí ao lado, valeu por um passeio. O lugar realmente impressiona pelo tamanho. São esses 4 prédios mais 2 ou 3 andares abaixo do solo, contornando o jardim central que é todo de árvores altas. A descrição não parece em nada com a foto, aguentem.

Olha o tamanhino das árvores.

Paris está no meio de um verão indiano, ou seja, o verão invadiu o outono e o calor não vai embora. Tudo muito lindo, muito gostoso, sol brilhando, mas já, já, todas as roupas mais fresquinhas que eu trouxe acabam. Lavar roupa aqui, só na lavanderia da esquina por 4,95 Euros cada máquina.

Categorias: As diferenças, Micos, Vivendo como francesa | Tags: | 5 Comentários

chegay

Cheguei assim em Paris, linda e glamourizando. Pena que é mentira.

ENFIM – Ouvi falar TANTO do aeroporto de Schiphol, Holanda, que cheguei esperando mais. É um aeroporto bonito, gigante (você anda e anda e anda), e sem quase nada pra fazer nas 5 horas que fiquei plantada lá. Só pra constar, nunca me senti tão baixinha na vida.

Imigração – com tanta história de brasileiro deportado, achei que teria que pelo menos mostrar o meu seguro saúde. Ainda não tenho certeza se passei mesmo pela imigração, foi muita simpatia! O oficial me perguntou o que eu vinha fazer em Paris, falei que vinha pra um curso de 4 semanas, e ele “FRANCÊS??!?!?! Qual é seu nível?” visivelmente empolgado. Bom, a conversa ficou nisso e essa foi toda a entrevista. Carimbo no passaporte e tchau.

Chegada em Paris – Depois de uma noite inteira sem dormir (nunca durmo em avião), mais 5 horas em Amsterdã, cheguei em Paris SÓ UM POUCO cansada. Mas eu que não ia pegar um táxi e desperdiçar 60 Euros, né? Tem trem logo ali, dentro do aeroporto, mas claro que beeeem longe.

Apesar de economizar no peso, carregar uma mala de 20 kg + uma sacola de viagem de 8 kg + a bolsa não é exatamente fácil, especialmente se a partir de um ponto não se pode mais usar o carrinho de bagagem e não há escada rolante que desce. Faz parte do pacote de surpresas de coisas-que-você-não-pensou-antes-de-decidir-viajar-sozinha.

Na estação acabei ajudando um colombiano em apuros, que falava ainda menos francês que eu, ou seja, nada, e comprou um bilhete errado. Fui com ele no guichê pra TRADUZIR o que ele precisava. Não sei como foi, só sei que deu certo e ele ficou eternamente agradecido.

A essa altura as malas pesavam tanto que comecei a achar que alguém tinha escondido um corpo lá dentro. Desci a escada até a plataforma do trem arrastando a mala, mó barulhão, e todos me assistindo. Ê, vergonha.

Entrei no trem achando que agora tava tudo certo. HAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!! Então, meus problemas só começaram. Eu sabia que a área que vai do aeroporto até Paris é meio perigosa e habitada por um povo meio estranho, e eis que lotam o trem e algumas pessoas não se conformavam por eu ter as malas no chão, na minha frente, que devia ter colocado no bagageiro acima dos bancos blábláblá.

Nestas horas aquela frase mágica “Je ne comprends pas” + uma cara de idiota funcionam muito bem.

Visualize um trem no horário de rush, todos se acotovelando e eu com uma mala gigante e outra em cima.  Mas me surpreendi com a amabilidade dos franceses. Sério. Apesar das primeiras pessoas me encherem o saco, muita gente tentou tirar a mala de dentro do trem antes da minha estação, mas era só tentando ajudar. Claro que a minha estação também não tinha escada rolante, mas dessa vez era pra subir e foi ainda mais divertido.

Bom, agora era só achar o táxi pra ir até a casa. ERRADO. A novela que começa nesse ponto é algo assim:

Roda praça 5 vezes procurando táxi, entra em loja, pergunta;

Não acha táxi;

Velhinho prestativo indica o metrô do outro lado da praça;

Corre pro metrô, carrega mala escada abaixo, não vende ticket, sobe escada;

Atravessa rua, desce o Metrô de novo na esperança de encontrar o guichê deste lado;

Não tem guichê. Francesa prestativa fala pra subir na rua e procurar um posto de venda virando a direita, esquerda, sei lá que raios. Sobe escada, não acha posto;

Volta pro ponto de táxi. Quase chorando e querendo ir a pé. O mesmo velhinho prestativo me olha não entendendo que raios eu tava fazendo ali de novo. Naquele ponto que eu tava, só Jesus mesmo.

APARECEU UM TAXI! o motorista obviamente não conhece o endereço. Por sorte eu tinha estudado o local antes de ir e sabia indicar o caminho, mas mesmo assim ele acabou me deixando a umas 6 quadras do apartamento. SOCORRO!!!

Carregando todo aquele peso, fui andando na direção que achei certa, e o santo porteiro de um hotel imprimiu o mapinha pra mim. Olha, ainda não sei como, mas cheguei aqui.

MORAL DA HISTÓRIA: Na próxima viagem eu carrego o que couber numa mochilinha e fim de papo.

PS – A família que está me hospedando é muito bacana, me obrigam a falar o tempo todo. Em outro post eu falo deles, do apartamento, da escola, dos franceses, de Paris…

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