Sobrevivendo ao Louvre e a Torre Eiffel

Nasci velha, odeio fila e odeio multidão. Isso posto, sempre fico num dilema enorme se tenho um puta programa legal pela frente que envolve aglomerações e filas. Agora, se você é implicante como eu mas achou uma boa ideia se enfiar na cidade mais visitada do mundo, o problema é todinho seu.

Turista basicamente é um ser chato. Acha que o mundo inteiro está de férias como ele, se comporta como se estivesse visitando um zoológico de pessoas, tira fotos de qualquer caca de cachorro que encontra pelo chão e ama um programa de índio. Mas toda viagem tem a versão babaca, essa que você basicamente sofre e tira fotos do que mal viu, e a versão legal. De forma que eu me preparo pra sempre transformar meu potencial programa de índio  em um evento legal, e minimizar filas e multidões o máximo possível. Continuar lendo

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Indo pra lá e pra cá –

Sempre achei super romântica aquela coisa dos filmes de “se perder pelas ruas de Paris”, pois descobri que não precisa muito esforço. É só botar o pé na rua sem um mapa que invariavelmente você vai se perder. O que não é uma coisa ruim, muito pelo contrário, desde que você se mantenha dentro das áreas mais seguras. Mas como saber se a área é segura se você está perdido? Santa contradição, Batman! Continuar lendo

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Chegando e saindo de Paris com dignidade

Nada no mundo se compara a chegar de viagem e ter alguém te esperando com aquele sorrisão no rosto e um carro grande pra por suas malas e te levar pra onde você tem que ir, né? Ou pelo menos aquele shuttle do seu hotel com o motorista solícito. Na falta de qualquer dessas opções a gente se vira como dá. Como tudo em euro é 3 vezes mais caro, vou sempre pelo mais barato: transporte público.

A regra é a mesma pra qualquer lugar que você não conhece: pesquise antes pra não passar por besta. Continuar lendo

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A ESCOLA: Uma das coisas na vida que escolhi bem.

Rua da escola, em uma região bem comercial e pouco turística

A L’atelier 9 tem apenas quatro níveis, 6 a 8 alunos em média por turma. No primeiro dia de cada ciclo mensal todo mundo vai pro salão principal se apresentar e conhecer os novos alunos (quem está a mais tempo deve estar mega enjoado disso). Quando cheguei eu era a ÚNICA pessoa da América Latina! Coisas assim me deixam muito feliz (mas claro que minha alegria durou pouco, e na segunda semana entrou uma equatoriana).

Europeus, japoneses, canadenses, marroquinos, uma chinesa, australianos e americanos compõem o lugar. Senti falta de árabes, nos EUA eu tinha várias colegas que iam pra aula vestindo o Hijab. Continuar lendo

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Yaël Naïm

Quando eu marquei a data da viagem uma das primeiras coisas que fiz foi checar o calendário da Yael Naïm pra ver se daria sorte de ela estar se apresentando em algum lugar perto daqui. Desde que um amigo com muito bom gosto musical apresentou-me, virei fãzona.

Complicações de sempre, o show não foi em Paris, mas numa cidade a 14 km chamada Noisy-le-Grand. A parte boa é que a estação de trem ficava perto do teatro, a parte ruim é que era tudo o que eu sabia sobre a cidade.  Se era uma periferia ruim, perigosa, com risco de morte, eu não tinha a menor ideia. Mas eu que não seria louca de perder a chance.

Programei para chegar lá bem cedo, durante o dia, pra ver bem o caminho e não ter perigo de sei lá, me perder. Mas Noisy-le-Grand é uma subúrbio residencial pequeno e fofinho, e foram esses lugares que eu atravessei até chegar ao teatro:

     

Achei que a platéia seria composta de um público bem alternativo, e acabou sendo alternativo até pra minha expectativa: como tinha crianças! Ao meu lado sentaram dois meninos que foram com o pai. Eu já tava achando que tinha errado de teatro e que lá rolaria algum Cocoricó francês, mas é isso, na França Yael também é programa infantil.

Ir a este show foi mais uma vez a constatação que esse país esbanja cultura, o teatro era desproporcionalmente maior que o tamanho da cidade, e a programação é excelente. Talvez não seja nada anormal aqui, mas é impossível  um brasileiro não notar.

Se ouvir o CD e assistir seus clips já é uma atividade deliciosa, assisti-la ao vivo consegue ser ainda melhor. Ela toca piano, toca violão, dança, brinca com a platéia, volta pro piano e deixa todo mundo sem fôlego com o talento que tem.

Eu tentei filmar alguma coisa do show, mas como era proibido e sempre tinha algum fiscal por perto, tive que disfarçar a câmera. Portanto perdoem a filmagem que ficou uma droga. O que vocês veriam é Yael e a banda (+3) sentados em micro banquinhos, e David Donatien tocando em um piano de brinquedo. Ouçam aí:

No final consegui filmar um pouco melhor, pois já era a segunda volta dela ao palco e já tinha perdido o medo de me jogarem pra fora do teatro. Mas o vídeo vai pra um futuro post.

A tietagem acabou aí, pois o mais próximo que eu consegui de tirar uma foto com ela foi isso aí abaixo.

O caminho da volta foi BEM escuro, e em alguns lugares eu passei quase dentro dos quintais das casas, como aqui:

Mas voltei sã e salva, ninguém me atacou, levou minha bolsa ou minha dignidade embora. E eu risquei mais um item da minha lista.

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Curtinhas

É muita coisa pra escrever e muito mais coisa pra estudar, e pouco tempo para ambas pois isso aqui é Paris e faizfavô, tem lugar demais pra passear. Aqui vão alguns mini comentários :

BYKRAM YOGA – Não satisfeitos com métodos de tortura tradicionais, inventaram essa ioga feita numa sala em altas temperaturas. Sério, fazer posições esdrúxulas numa sala a quase 40 graus? Que raio é isso? Ontem a temperatura começou a cair, mas até semana passada o calor era africano. As americanas da escola curtem esse troço e falam nisso todo santo dia, e me dão mais um motivo para eu não gostar delas.

PASSATEMPO UNIVERSAL: Junte numa sala europeus variados: todos estarão sacaneando o americano que não está por lá.

FRANCESES FEDIDOS: MITO OU REALIDADE? – Se eu tivesse ficado aqui só uma semana sairia dizendo que chamar francês de fedido é a maior injustiça do mundo. Estava MUITO quente, mas eu nunca sentia cecê de ninguém, só um cheiro forte e doce onde quer que fosse, como quando você vai experimentar perfume e passa um em cada mão, um em cada pulso e mais dois em cada braço, e vira aquela salada.  Mas desde que esfriou eu comecei a sentir um cheirinho meio ruim no metrô, entao acho que o problema não é a falta de banho, mas sim que eles não lavam os casacos.

L’AMOUR – Traição é quse um elemento cultural por aqui, mas praticamente TODA AULA tem um exercício com alguma frase relativa a amantes e etc. Ainda não entendi se o propósito é informar, alertar ou talvez ser um estímulo, vai saber.

DENÚNCIA 1- É uma sacanagem o tanto de sabor de iogurte que tem por aqui que não chega no Brasil. Além do arroz doce e creme brulêe que dá pra comprar por 2 euros a embalagem com quatro potinhos. Sim, estou engordando quilos, me aguentem.

DENÚNCIA 2 – Confirmado, o cara aqui de casa não toma banho mesmo. Pelo menos não regularmente. Ontem ele ainda esqueceu as calças na cozinha (oi?) e hoje tive que assisti-lo desfilar de cueca pra pegá-las enquanto eu tomava café da manhã.

AWKWARD – De alguma forma foi decidido na minha sala, sem prévia consulta, que qualquer exemplo constrangedor seria explicado por mim. Só nessa semana tive que explicar em francês pro único homem da turma as palavras que ele não entendeu: camisinha e seios.

NÓNASCABEÇA: Aprender francês é difícil pra todo mundo. Eu ando misturando tudo ultimamente, se estou conversando em inglês enfio palavras em francês no meio, e às vezes quero perguntar algo para a professora e sai em português. Pelo menos não sou a única e descobri que acontece com todo mundo, dos alemães a árabes.

NOVO CURSO – Aprenda a lavar roupa na pia do banheiro, até calça jeans. Inscrições comigo.

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Maison de L’espérance – Igreja na veia

Se quantidade fosse garantia de salvação eu já estaria no Céu: sábado fui na Maison de L’Ésperance, e lá é como se fosse uma pequena versão da ONU da igreja adventista: no mesmo prédio funcionam cultos em espanhol, francês e português, começando respectivamente as 9:30, 10:30 e 14:30. Como são vários auditórios, a divisão é feita em função do tamanho da audiência.

A maratona começou com meia hora na igreja hispana, depois corri pra francesa e assisti toda a programação, e à tarde ainda assisti o começo da programação na portuguesa. Não é brasileira, ao contrário da que eu frequentava nos EUA, é uma mistura bem forte de portugueses, angolanos, cabo-verdianos e brasileiros.  Mas foi bem interessante estudar o mesmo tema da Bíblia sob três perspectivas diferentes.

O culto francês lembrou o da Nova Semente em alguns aspectos, especialmente porque dentre os três foi o menos tradicional. Em estrutura não dá para comparar, na Europa toda o cristianismo é artigo de museu, e a França, com menos de 50% da população acreditando que existe “alguma forma de Deus” está no rumo de se tornar um país ateu dentro de pouco tempo.

Cantaram afinadinhos, as mesmas músicas que cantamos no Brasil. Eu tentei filmar e cantar ao mesmo tempo e não deu certo, só em uma das músicas o bom senso reinou e eu só filmei. Assita aí se tiver paciência.

Novamente os franceses me surpreenderam com a simpatia (nasce uma árdua defensora dos franceses, pelo jeito). Nesse caso a simpatia foi me chamar de novinha e me mandar pra classe dos jovens (tudo bem que na portuguesa e hispana também mandaram. Começo a achar que tenho cara de criança, ou atitude, sei lá).

Na classe francesa, sentou um rapaz ao meu lado, que obviamente devia ser francês. Claro que não era. Além de brasileiro,  o André é praticamente vizinho nosso em São Paulo. Virou meu primeiro amigo em Paris.

LICÃO: nunca faça nada achando que nenhum conhecido vai ver. Sempre haverá alguém no mundo que tem algum amigo em comum com você no Facebook.

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conversas profundamente infantis

O verão voltou com força por aqui. Fui agora no final da tarde encontrar um francês pra ajudá-lo a praticar inglês por uma hora, e em troca o coitado conversa comigo em francês por mais uma hora.

Conversar comigo neste estágio do aprendizado é como conversar com uma criança de 2 anos: falo tudo errado e tenho um vocabulário bem limitado. Ainda bem que a semelhança para por aí, eu consigo ir ao banheiro sozinha.

Conheci o Zizou através de um site chamado Conversations Exchange, onde você cadastra que língua fala e qual quer praticar, e se prefere conversar por email, chat ou pessoalmente. Antes mesmo de chegar aqui 15 parisienses já tinham me procurado querendo praticar inglês ou português. Zizou é francês-argelino, tem o mesmo apelido do Zidane e foi o primeiro da lista que conheci pessoalmente.

Marcamos de nos encontrar em um café parisiense (dãr), no bairro do Marais, no 4zieme, cheio de baladinhas, barzinhos, galerias de arte, gente circulando adoidado. Um bar com mesinhas na calçada não chega a ser uma novidade no Brasil, mas aqui além da sua mesa ser grudada com a mesa do vizinho, todo mundo senta virado pra rua, como se estivessem em um grande auditório e a rua fosse o palco. Curti.

Já que não conheço bulhufas de bebidas francesas e não queria pedir Coca Cola (faizfavô, né), pedi pra ele pedir qualquer coisa sem álcool que o povo bebe normalmente aqui. Veio um copo bem quente com um xarope verde no fundo, e uma garrafinha  de água tônica pra completar. O nome era a parte mais legal, mas claro que não lembro, então ficou xarope-verde-quente.

A conversa de duas horas foi mais ou menos assim:

Inglês – carreira, costumes, política internacional, viagens, couch surfing, burcas.

Francês – hoje-fui-pra-escola, gugu dádá.

Amanhã encontro outra vítima. Espero que até o final do mês eu converse em francês como adulta, porque por enquanto as conversas são totalmente imbecis.

Como o clima está très bon, resolvi caminhar mais ou menos 1km até a Praça da Bastilha e de lá pegar o metrô pra casa. A prisão foi totalmente destruída, sobraram apenas algumas pedras da fundação, como estas dentro da estação do metrô. Outras pessoas no mundo tiraram fotos melhores do que esta, se quiser ver vá no Google Images e digite “Bastille remains”. Sei que tem uma loja por ali que os degraus dela também faziam parte da Bastilha, mas foi tudo o que sobrou.

Por mais que eu esteja adorando viver por um tempinho nessa cidade que é fantástica, os finais de semana são sempre mais difíceis para segurar a barra de estar sozinha. Isso eu sempre soube, mesmo em casa se o Alexandre viaja muito eu levo a semana de boa e o fim de semana é chato pra caramba. Aqui não seria muito diferente, além do agravante de eu não ter nenhum amigo na cidade.

Mas a surpresa que eu tive essa semana quando entrei numa pequena livraria perto do Musée d’Orsay, e ouvi algo que por um momento me fez sentir em casa, está me fazendo companhia. A música é do CD Paul Baloche and friends, versão francesa, meu preferido neste momento.

Reconheceram? Feliz Sábado pra vocês!

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Americanos na Europa I

Metade da minha classe é composta de americanas (outra hora falo mais da escola).   A  outra metade sou eu, uma japonesa que quase não fala e uma canadense que fala menos ainda. Essa introdução é necessária para comentar os próximos acontecimentos.

Apesar de estar fora de casa, a cultura francesa também é latina, e em muitos aspectos é bem mais parecida com a brasileira do que com a americana, como por exemplo na falta do politicamente correto.

Quem me conhece sabe que gosto do estilo de vida e cultura dos americanos, não os considero um povo babaca e até defendo a forma que eles se comportam. Mas tavez seja só porque morei na casa deles. Olha, tô começando a repensar os meus conceitos:

CASO 1 – Acho meio difícil um turista em Paris não ter ideia do que seja a “Galeries Lafayette”, um dos maiores templos de compras do mundo, essa barbaridade aí da foto distribuída em 3 prédios diferentes que juntos devem ocupar um quarteirão inteiro. Equivalente a estar em Roma e não saber que o Papa mora lá.  Então, mas se fosse um açougue daria na mesma pra uma das minhas colegas, que já está no curso há 15 dias. Sim, ela perguntou se Galeries Lafayette era nome de algum mercado pra comprar sei lá, baguetes. Ainda não consegui encontrar nenhuma justificativa para essa ignorância.

CASO 2 – Um dos exercícios em classe hoje foi imaginar todo o tipo de ação que acontece em determinados lugares. Na rua, por exemplo, você  pode dirigir seu carro, andar de bicicleta, caminhar….COMO ASSIM CAMINHAR NA RUA?????? ISSO É PERIGOSO, E OS CARROS!?????!!!!

Depois dessa eu devia saber que dar o exemplo “jogar bola na rua”seria uma polêmica dos infernos. Mas lenha na fogueira é legal e eu gosto. A professora gastou uns 5 minutos explicando e DESENHANDO NO QUADRO, pra entenderem que existem lugares no mundo onde jogar bola na rua é perfeitamente normal e aceitável. Nas pequenas cidades da França, por exemplo. Coitada da professora, se eu não estivesse lá as aulas dela seriam mais tranquilas.

CASO 3 – Aula sobre tradições culturais: no Natal, junto com o “Père Nöel”, que distribui presentes para as crianças boas blablabla, aqui na França vai o “Père Fouettard”, distribuindo bordoadas para as crianças más.  Eu curti, mas claro que só eu.

Não bastasse o assombro que a existência do Père Fouttard causou, sai essa imagem no Google:

O Père bom e o Père ruim.

Pronto, além de traumatizar criancinhas a França também é racista.

Novamente lá vou eu apaziguar a situação, desta vez contando sobre a bonita e centenária tradição que as mães brasileiras contam  para seus filhos:  o homem do saco.

Para terminar a aula num clima alto astral, contei em detalhes a tradição pascalina de malhar o Judas e jogar na fogueira, frisando que é uma alegre tradição infantil.

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Dia a dia

Um legítimo banheiro/bilbioteca francês.

Um legítimo banheiro/bilbioteca francês.

Na família que está me hospedando ninguém fala nenhuma outra língua que não seja o francês. Se por um lado isso é bom pois me força a encontrar as palavras, por outro é meio frustrante, exatamente por ser tão difícil me comunicar nesses primeiros dias.  Madame Dany, o filho de 27 anos  e a namorada da mesma idade compõem a família. Gente tranquila e simpática, estão bem acostumados com estudantes estrangeiros já que daqui mal sai um chega outro.

A surpresa boa é que o prédio tem elevador. Se não tivesse, depois daquela chegada, era mais fácil voltar pro Brasil do que encarar 5 andares de escada.

Aprendi que antes de vir pra França é bom conhecer exatamente o que eles querem dizer com banheiro. O que eu tenho “privativo” (fica em frente a meu quarto, no corredor) é um quartinho com um vaso sanitário e uma estante de livros…sem pia.

É. A pia fica duas portas pra direita, no “sale de bains”, junto com o chuveiro. Divertido, né? Esse eu divido com todo mundo. Quer dizer, acho que divido, porque até agora não vi ninguém da casa tomar banho. Quase dá vergonha de entrar no chuveiro todo dia.

E que malabarismo tomar banho com chuveiro de mão, hein? Alguém tinha que ensinar esses franceses que pendurando na parede fica bem mais fácil.

A foto é ruim mas dá pra ter uma boa ideia

Terceiro dia  de aulas e já tenho toneladas pra estudar. Saí da escola e me enfiei numa biblioteca pra me divertir decorando mihões de conjugações de verbos. Como foi na Bibliotèque nationale de France, aí ao lado, valeu por um passeio. O lugar realmente impressiona pelo tamanho. São esses 4 prédios mais 2 ou 3 andares abaixo do solo, contornando o jardim central que é todo de árvores altas. A descrição não parece em nada com a foto, aguentem.

Olha o tamanhino das árvores.

Paris está no meio de um verão indiano, ou seja, o verão invadiu o outono e o calor não vai embora. Tudo muito lindo, muito gostoso, sol brilhando, mas já, já, todas as roupas mais fresquinhas que eu trouxe acabam. Lavar roupa aqui, só na lavanderia da esquina por 4,95 Euros cada máquina.

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chegay

Cheguei assim em Paris, linda e glamourizando. Pena que é mentira.

ENFIM – Ouvi falar TANTO do aeroporto de Schiphol, Holanda, que cheguei esperando mais. É um aeroporto bonito, gigante (você anda e anda e anda), e sem quase nada pra fazer nas 5 horas que fiquei plantada lá. Só pra constar, nunca me senti tão baixinha na vida.

Imigração – com tanta história de brasileiro deportado, achei que teria que pelo menos mostrar o meu seguro saúde. Ainda não tenho certeza se passei mesmo pela imigração, foi muita simpatia! O oficial me perguntou o que eu vinha fazer em Paris, falei que vinha pra um curso de 4 semanas, e ele “FRANCÊS??!?!?! Qual é seu nível?” visivelmente empolgado. Bom, a conversa ficou nisso e essa foi toda a entrevista. Carimbo no passaporte e tchau.

Chegada em Paris – Depois de uma noite inteira sem dormir (nunca durmo em avião), mais 5 horas em Amsterdã, cheguei em Paris SÓ UM POUCO cansada. Mas eu que não ia pegar um táxi e desperdiçar 60 Euros, né? Tem trem logo ali, dentro do aeroporto, mas claro que beeeem longe.

Apesar de economizar no peso, carregar uma mala de 20 kg + uma sacola de viagem de 8 kg + a bolsa não é exatamente fácil, especialmente se a partir de um ponto não se pode mais usar o carrinho de bagagem e não há escada rolante que desce. Faz parte do pacote de surpresas de coisas-que-você-não-pensou-antes-de-decidir-viajar-sozinha.

Na estação acabei ajudando um colombiano em apuros, que falava ainda menos francês que eu, ou seja, nada, e comprou um bilhete errado. Fui com ele no guichê pra TRADUZIR o que ele precisava. Não sei como foi, só sei que deu certo e ele ficou eternamente agradecido.

A essa altura as malas pesavam tanto que comecei a achar que alguém tinha escondido um corpo lá dentro. Desci a escada até a plataforma do trem arrastando a mala, mó barulhão, e todos me assistindo. Ê, vergonha.

Entrei no trem achando que agora tava tudo certo. HAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!! Então, meus problemas só começaram. Eu sabia que a área que vai do aeroporto até Paris é meio perigosa e habitada por um povo meio estranho, e eis que lotam o trem e algumas pessoas não se conformavam por eu ter as malas no chão, na minha frente, que devia ter colocado no bagageiro acima dos bancos blábláblá.

Nestas horas aquela frase mágica “Je ne comprends pas” + uma cara de idiota funcionam muito bem.

Visualize um trem no horário de rush, todos se acotovelando e eu com uma mala gigante e outra em cima.  Mas me surpreendi com a amabilidade dos franceses. Sério. Apesar das primeiras pessoas me encherem o saco, muita gente tentou tirar a mala de dentro do trem antes da minha estação, mas era só tentando ajudar. Claro que a minha estação também não tinha escada rolante, mas dessa vez era pra subir e foi ainda mais divertido.

Bom, agora era só achar o táxi pra ir até a casa. ERRADO. A novela que começa nesse ponto é algo assim:

Roda praça 5 vezes procurando táxi, entra em loja, pergunta;

Não acha táxi;

Velhinho prestativo indica o metrô do outro lado da praça;

Corre pro metrô, carrega mala escada abaixo, não vende ticket, sobe escada;

Atravessa rua, desce o Metrô de novo na esperança de encontrar o guichê deste lado;

Não tem guichê. Francesa prestativa fala pra subir na rua e procurar um posto de venda virando a direita, esquerda, sei lá que raios. Sobe escada, não acha posto;

Volta pro ponto de táxi. Quase chorando e querendo ir a pé. O mesmo velhinho prestativo me olha não entendendo que raios eu tava fazendo ali de novo. Naquele ponto que eu tava, só Jesus mesmo.

APARECEU UM TAXI! o motorista obviamente não conhece o endereço. Por sorte eu tinha estudado o local antes de ir e sabia indicar o caminho, mas mesmo assim ele acabou me deixando a umas 6 quadras do apartamento. SOCORRO!!!

Carregando todo aquele peso, fui andando na direção que achei certa, e o santo porteiro de um hotel imprimiu o mapinha pra mim. Olha, ainda não sei como, mas cheguei aqui.

MORAL DA HISTÓRIA: Na próxima viagem eu carrego o que couber numa mochilinha e fim de papo.

PS – A família que está me hospedando é muito bacana, me obrigam a falar o tempo todo. Em outro post eu falo deles, do apartamento, da escola, dos franceses, de Paris…

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Calma, já vai passar.

Olha, só queria avisar que com a chegada iminente da viagem estou suando cada dia mais frio, me perguntando que raios eu tinha na cabeça quando resolvi passar um mês sozinha longe do marido e dos cachorros, mas agora não adianta reclamar, falta menos de uma semana e é bom começar a arrumar a mala de vez. O que me leva ao próximo problema,  como fazer 1 mês caber em uma mala de 23 kg?  Descobrirei até sexta feira.

As últimas notícias é que enfim  a escola me mandou o contato e endereço da família que me hospedará em Paris. Ainda não sei se é uma família ou uma mulher sozinha, já que perguntei apenas o essencial por email para não começar a ser chata antes mesmo de chegar lá. Mas gostei. Vou ficar num apartamento no 13th arrondissement (os bairros de Paris), num quarto com banheiro privativo, conexão wifi, lavanderia na esquina e um super Club Med Gym na frente do prédio, que cobra pelo passe diário a bagatela de 26 euros. O metrô fica a 5 quadras e é a mesma linha da escola. Dependendo da quantidade de croissants e crepes que atravessarem meu caminho talvez seja melhor dispensar o metrô e ir para a escola a pé. Vamos ver.

Tá aí o mapa dos bairros de Paris, dispostos em forma de caracol. Eu fico no 13, a escola fica no 9, por pouco não  atravesso a cidade toda. Se for andando, dá 6 km. Acho que vale um crepe de nutella.

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Lugares que não pretendo visitar nem que me paguem

Pra tudo nessa vida há limite, até mesmo para quem tem vontade de vasculhar cada canto de uma cidade. Visitar o Museu do Esgoto de Paris não rola.

 O sistema de esgoto de lá existe desde o século 13, e de acordo com os idealizadores do museu você só conhece plenamente a história de um povo se sabe onde foram parar seus detritos, neste caso começando com os de Napoleão.

Sinceramente, nem em Paris cocô tem cheiro de perfume francês, e conhecer a fundo para onde foram os 800 anos de dejetos humanos da cidade realmente não faz minha cabeça.

Aqui vai mais do Musée des égouts de Paris

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Escolhendo a escola de idiomas

“como choramingar sobre aprender línguas estrangeiras”

Comecei a procurar onde aprender francês em Paris e descobri que existem PILHAS de escolas para estrangeiros na cidade. Zilhões de sites e programas pra comparar. Como não sou sustentada pelo Eike Batista, o critério PREÇO começou a tornar a escolha mais fácil de cara. Fácil? Engano.

Descobri que por preços bastante semelhantes muitos dos programas se propõem basicamente ao mesmo objetivo, que é ensinar você, estrangeiro, a falar francês no país onde ele é falado, o que sem dúvida alguma é a forma mais bacana de aprender uma língua.

Então usei alguns critérios que me ajudaram na escolha:

Duração: No meu caso um mês. Além de eliminar os longos, elimina alguns programas mais tradicionais, como o da Sorbonne, que se debruça sobre as 28 formas de conjugação do mesmo verbo antes de partir para o próximo, preciso de mais agilidade.  Claro que eu adoraria ter a Sorbonne no currículo, mas na vida a gente precisa de praticidade.

O curso aceita adolescentes? Tô fora. A escola que escolhi tem idade mínima de 18 anos. Na verdade, o perigo maior é nos meses de férias, e como escolhi setembro/outubro, essa galera estará em pleno ano letivo, poupando os cursos de línguas de sua animada presença.

Escolas com poucos brasileiros: Pergunta fundamental antes de escolher.  Ficar longe de casa em um país estranho aguça a necessidade de elementos familiares, e ter brasileiros por perto é garantia de falar muito português com gente que não vai  ajudar em nada com a nova língua.

Tamanho da classe: Sobraram 3 finalistas, entre elas a Aliança Francesa. Forte candidata, fica na Cidade Universitária, é uma escola reconhecida mundialmente, mas que em Paris tem em média 25 alunos por classe. Em um mês não daria nem tempo pra um professsor me notar na sala, quanto mais corrigir pronúncia. As outras finalistas tem no máximo 10 e 9 alunos por classe.

No final o que acabou pesando de verdade foi o programa.  Já que sou professora de inglês, achei coerente usar as dicas que sempre dei na hora de escolher métodos de ensino, e neste caso é aprender a me virar, errando.  Acabei escolhendo a L’atelier 9. Turmas pequenas, só adultos, focada basicamente em conversação, quase sem brasileiros, tá parecendo um ótimo custo/benefício. E li excelentes críticas em fóruns pela internet. Google tá aí, vale muito a pena pesquisar bastante que tipo de avaliações a escola recebe antes de escolher uma, pois  todas sempre falarão muito bem de si mesmas.

Todo mundo que aprende uma língua nova sempre esbarra no medo de falar errado, mas é infinitamente melhor sair matraqueando  e ser corrigido por estranhos na rua do que se concentrar em apenas falar quando tiver certeza de estar certo, e não falar nunca. Isto vale para qualquer língua.

Crianças também aprendem falando errado, entram na escola falando sem parar e tem um vocabulário complexo quando começam a aprender gramática. Parece óbvio, mas a maioria dos programas de línguas tradicionais inverte esta ordem. Portanto, é bom os parisienses prepararem os ouvidos, que com certeza irão sofrer até eu aprender direito.

Leia também:

A ESCOLA – Uma das coisas na vida que escolhi bem

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Porquê falar Francês

Pergunta relevante que passa na cabeça de muita gente pra quem conto a novidade. Bom, aí vão alguns bons motivos:

1 – Já sou meio nojenta, falando francês essa característica fica melhor e mais acentuada;

2 – Seis anos nos EUA já completaram minha cota de inglês E espanhol (versão mexicana-cruzei-a-fronteira-a-nado, mas ainda é espanhol);

3 –  As outras opções bastante valorizadas no mundo corporativo, mandarim e alemão, seriam um desafio tão grande à minha capacidade de aprendizado que nem vou começar a falar pra não chorar;

4 – Podia aprender italiano já que meu sobrenome é Spissoto, né,  mas acho que prefiro aprender algo que seja falado em mais de um país;

5 – Francês é a língua das grandes artes, e uma pseudo-intelectual canastrona convence muito mais se souber falar Renoir-Luc Besson-Monet-Edwige Feuillère com biquinho;

6 – Fingirei que moro em Paris durante um mês.

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La valse d’Amelie

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Vou ali em Paris e já volto, tá?

Após uma providencial e inesperada temporada de férias prolongadas, decidi que pra aproveitar o tempo vou arrumar as malas e partir pra um mês por aí aprendendo alguma coisa.

A coisa, no caso, foi aprender a assassinar o francês corretamente. A cidade-vítima escolhida foi Paris.

Portanto, durante os próximos meses este endereço abrigará as histórias, descobertas e dicas que irei fazendo pelo caminho.

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