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A ESCOLA: Uma das coisas na vida que escolhi bem.

Rua da escola, em uma região bem comercial e pouco turística

A L’atelier 9 tem apenas quatro níveis, 6 a 8 alunos em média por turma. No primeiro dia de cada ciclo mensal todo mundo vai pro salão principal se apresentar e conhecer os novos alunos (quem está a mais tempo deve estar mega enjoado disso). Quando cheguei eu era a ÚNICA pessoa da América Latina! Coisas assim me deixam muito feliz (mas claro que minha alegria durou pouco, e na segunda semana entrou uma equatoriana).

Europeus, japoneses, canadenses, marroquinos, uma chinesa, australianos e americanos compõem o lugar. Senti falta de árabes, nos EUA eu tinha várias colegas que iam pra aula vestindo o Hijab. Continuar lendo

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Curtinhas

É muita coisa pra escrever e muito mais coisa pra estudar, e pouco tempo para ambas pois isso aqui é Paris e faizfavô, tem lugar demais pra passear. Aqui vão alguns mini comentários :

BYKRAM YOGA – Não satisfeitos com métodos de tortura tradicionais, inventaram essa ioga feita numa sala em altas temperaturas. Sério, fazer posições esdrúxulas numa sala a quase 40 graus? Que raio é isso? Ontem a temperatura começou a cair, mas até semana passada o calor era africano. As americanas da escola curtem esse troço e falam nisso todo santo dia, e me dão mais um motivo para eu não gostar delas.

PASSATEMPO UNIVERSAL: Junte numa sala europeus variados: todos estarão sacaneando o americano que não está por lá.

FRANCESES FEDIDOS: MITO OU REALIDADE? – Se eu tivesse ficado aqui só uma semana sairia dizendo que chamar francês de fedido é a maior injustiça do mundo. Estava MUITO quente, mas eu nunca sentia cecê de ninguém, só um cheiro forte e doce onde quer que fosse, como quando você vai experimentar perfume e passa um em cada mão, um em cada pulso e mais dois em cada braço, e vira aquela salada.  Mas desde que esfriou eu comecei a sentir um cheirinho meio ruim no metrô, entao acho que o problema não é a falta de banho, mas sim que eles não lavam os casacos.

L’AMOUR – Traição é quse um elemento cultural por aqui, mas praticamente TODA AULA tem um exercício com alguma frase relativa a amantes e etc. Ainda não entendi se o propósito é informar, alertar ou talvez ser um estímulo, vai saber.

DENÚNCIA 1- É uma sacanagem o tanto de sabor de iogurte que tem por aqui que não chega no Brasil. Além do arroz doce e creme brulêe que dá pra comprar por 2 euros a embalagem com quatro potinhos. Sim, estou engordando quilos, me aguentem.

DENÚNCIA 2 – Confirmado, o cara aqui de casa não toma banho mesmo. Pelo menos não regularmente. Ontem ele ainda esqueceu as calças na cozinha (oi?) e hoje tive que assisti-lo desfilar de cueca pra pegá-las enquanto eu tomava café da manhã.

AWKWARD – De alguma forma foi decidido na minha sala, sem prévia consulta, que qualquer exemplo constrangedor seria explicado por mim. Só nessa semana tive que explicar em francês pro único homem da turma as palavras que ele não entendeu: camisinha e seios.

NÓNASCABEÇA: Aprender francês é difícil pra todo mundo. Eu ando misturando tudo ultimamente, se estou conversando em inglês enfio palavras em francês no meio, e às vezes quero perguntar algo para a professora e sai em português. Pelo menos não sou a única e descobri que acontece com todo mundo, dos alemães a árabes.

NOVO CURSO – Aprenda a lavar roupa na pia do banheiro, até calça jeans. Inscrições comigo.

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Americanos na Europa I

Metade da minha classe é composta de americanas (outra hora falo mais da escola).   A  outra metade sou eu, uma japonesa que quase não fala e uma canadense que fala menos ainda. Essa introdução é necessária para comentar os próximos acontecimentos.

Apesar de estar fora de casa, a cultura francesa também é latina, e em muitos aspectos é bem mais parecida com a brasileira do que com a americana, como por exemplo na falta do politicamente correto.

Quem me conhece sabe que gosto do estilo de vida e cultura dos americanos, não os considero um povo babaca e até defendo a forma que eles se comportam. Mas tavez seja só porque morei na casa deles. Olha, tô começando a repensar os meus conceitos:

CASO 1 – Acho meio difícil um turista em Paris não ter ideia do que seja a “Galeries Lafayette”, um dos maiores templos de compras do mundo, essa barbaridade aí da foto distribuída em 3 prédios diferentes que juntos devem ocupar um quarteirão inteiro. Equivalente a estar em Roma e não saber que o Papa mora lá.  Então, mas se fosse um açougue daria na mesma pra uma das minhas colegas, que já está no curso há 15 dias. Sim, ela perguntou se Galeries Lafayette era nome de algum mercado pra comprar sei lá, baguetes. Ainda não consegui encontrar nenhuma justificativa para essa ignorância.

CASO 2 – Um dos exercícios em classe hoje foi imaginar todo o tipo de ação que acontece em determinados lugares. Na rua, por exemplo, você  pode dirigir seu carro, andar de bicicleta, caminhar….COMO ASSIM CAMINHAR NA RUA?????? ISSO É PERIGOSO, E OS CARROS!?????!!!!

Depois dessa eu devia saber que dar o exemplo “jogar bola na rua”seria uma polêmica dos infernos. Mas lenha na fogueira é legal e eu gosto. A professora gastou uns 5 minutos explicando e DESENHANDO NO QUADRO, pra entenderem que existem lugares no mundo onde jogar bola na rua é perfeitamente normal e aceitável. Nas pequenas cidades da França, por exemplo. Coitada da professora, se eu não estivesse lá as aulas dela seriam mais tranquilas.

CASO 3 – Aula sobre tradições culturais: no Natal, junto com o “Père Nöel”, que distribui presentes para as crianças boas blablabla, aqui na França vai o “Père Fouettard”, distribuindo bordoadas para as crianças más.  Eu curti, mas claro que só eu.

Não bastasse o assombro que a existência do Père Fouttard causou, sai essa imagem no Google:

O Père bom e o Père ruim.

Pronto, além de traumatizar criancinhas a França também é racista.

Novamente lá vou eu apaziguar a situação, desta vez contando sobre a bonita e centenária tradição que as mães brasileiras contam  para seus filhos:  o homem do saco.

Para terminar a aula num clima alto astral, contei em detalhes a tradição pascalina de malhar o Judas e jogar na fogueira, frisando que é uma alegre tradição infantil.

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Dia a dia

Um legítimo banheiro/bilbioteca francês.

Um legítimo banheiro/bilbioteca francês.

Na família que está me hospedando ninguém fala nenhuma outra língua que não seja o francês. Se por um lado isso é bom pois me força a encontrar as palavras, por outro é meio frustrante, exatamente por ser tão difícil me comunicar nesses primeiros dias.  Madame Dany, o filho de 27 anos  e a namorada da mesma idade compõem a família. Gente tranquila e simpática, estão bem acostumados com estudantes estrangeiros já que daqui mal sai um chega outro.

A surpresa boa é que o prédio tem elevador. Se não tivesse, depois daquela chegada, era mais fácil voltar pro Brasil do que encarar 5 andares de escada.

Aprendi que antes de vir pra França é bom conhecer exatamente o que eles querem dizer com banheiro. O que eu tenho “privativo” (fica em frente a meu quarto, no corredor) é um quartinho com um vaso sanitário e uma estante de livros…sem pia.

É. A pia fica duas portas pra direita, no “sale de bains”, junto com o chuveiro. Divertido, né? Esse eu divido com todo mundo. Quer dizer, acho que divido, porque até agora não vi ninguém da casa tomar banho. Quase dá vergonha de entrar no chuveiro todo dia.

E que malabarismo tomar banho com chuveiro de mão, hein? Alguém tinha que ensinar esses franceses que pendurando na parede fica bem mais fácil.

A foto é ruim mas dá pra ter uma boa ideia

Terceiro dia  de aulas e já tenho toneladas pra estudar. Saí da escola e me enfiei numa biblioteca pra me divertir decorando mihões de conjugações de verbos. Como foi na Bibliotèque nationale de France, aí ao lado, valeu por um passeio. O lugar realmente impressiona pelo tamanho. São esses 4 prédios mais 2 ou 3 andares abaixo do solo, contornando o jardim central que é todo de árvores altas. A descrição não parece em nada com a foto, aguentem.

Olha o tamanhino das árvores.

Paris está no meio de um verão indiano, ou seja, o verão invadiu o outono e o calor não vai embora. Tudo muito lindo, muito gostoso, sol brilhando, mas já, já, todas as roupas mais fresquinhas que eu trouxe acabam. Lavar roupa aqui, só na lavanderia da esquina por 4,95 Euros cada máquina.

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